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Carlos Nuno Salgado Vaz | 17 Abr 2016
A alegria do amor – 1
Acompanhar, discernir e integrar.
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  © olly

Tive a oportunidade de assistir em direto pelo Centro Televisivo Vaticano à apresentação formal da Exortação Apostólica «Amoris laetitia» (AL) do papa Francisco. Foram duas horas para ouvir o padre Lombardi, que dirigiu e apresentou os oradores: cardeais Baldisseri e Schonborn, e ainda o casal de professores universitários de filosofia que também participaram como peritos nos trabalhos dos dois momentos do Sínodo sobre a família. Com isto quero dizer que a apresentação da 'Alegria do amor' não pode ser feita de ânimo leve e focando sobretudo o ponto que mais atraiu os órgãos de comunicação social.

«Não aconselho uma leitura geral apressada»

E muito mais importante que dirimir se o Papa permite ou não permite a comunhão aos recasados civilmente, é  seguir as indicações que o próprio Pontífice indica no número 7: «Não aconselho uma leitura geral apressada. Poderá ser de maior proveito, tanto para as famílias como para os agentes de pastoral familiar, aprofundar pacientemente uma parte de cada vez ou procurar nela aquilo de que precisam em cada circunstância concreta. É provável, por exemplo, que os esposos se identifiquem mais com o quarto e quinto capítulo, que os agentes pastorais tenham especial interesse pelo capítulo sexto, e que todos se sintam interpelados pelo oitavo. Espero que cada um, através da leitura, se sinta chamado a cuidar com amor da vida das famílias, porque elas 'não são um problema, são sobretudo uma oportunidade'».

Francisco vai-nos precavendo para não procurarmos encontrar na Exortação aquilo que ela não pretende dar: «recordando que o tempo é superior ao espaço, quero reiterar que nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais» (AL, 3). Claro que é necessário que exista na Igreja uma unidade de doutrina e de praxis, mas isso não impede que haja diferentes maneiras de interpretar alguns aspetos da doutrina ou algumas consequências que dela decorrem. (AL, 3) Incita mesmo a que cada país ou região, com as suas especificidades, busque soluções que estejam mais de harmonia com a cultura própria, as suas tradições e os desafios colocados localmente. Foi isso que detetou nas intervenções dos padres sinodais, cujas contribuições viu como um «precioso poliedro, formado por muitas preocupações legítimas e questões honestas e sinceras» ( AL, 4).

Ano Jubilar da Misericórdia

A exortação adquire um significado especial no contexto deste Ano Jubilar da Misericórdia, porque o próprio Papa vê a Exortação como uma proposta para as famílias cristãs que procura estimulá-las a apreciar os dons do matrimónio e da família e a manter um amor forte e cheio de valores como: a generosidade, o compromisso, a fidelidade e a paciência. Além disso, quer encorajar a todos para serem sinais de misericórdia e proximidade para a vida familiar, quando a mesma não se realize perfeitamente ou não se desenvolva na paz e na alegria (AL, 5).

Resumo da Exortação Apostólica

Francisco apresenta ainda uma síntese dos vários capítulos: uma abertura inspirada na Sagrada Escritura, que lhe dê o tom adequado (capítulo I, números 9 a 30); situação atual das famílias (capítulo II, números 31 a 57); alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimónio e a família (capítulo III, números 58 a 88); depois vêm os dois capítulos que o próprio Papa descreve como centrais e que são dedicados ao amor: (capítulo IV – o Amor no matrimónio, números 89 a 164); capítulo V – o Amor que se torna fecundo, (números 165 a 198). Destaca no capítulo VI alguns caminhos e perspetivas pastorais,( números 199 a 258). O capítulo VII é dedicado à educação dos filhos, (números 259 – 290). O VIII capítulo - aquele que o Papa deseja que todos se sintam interpelados pelo que nele se diz - é um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe, e ocupa os números 291 a 312 e tem o singular e interpelador título: «Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade». O último capítulo, o IX, é dedicado à espiritualidade conjugal e familiar. Nele se inclui a belíssima oração à Sagrada Família que conclui a Exortação Apostólica. Ocupa os números 313 a 325.

É nossa intuição que há uma relevante contribuição de um biblista como o cardeal Ravasi, sobretudo nos capítulos I e IV, cuja fundamentação bíblica do hino ao amor, do capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios recorre muito aos termos originais hebraicos e gregos. Nota-se a fidelidade às propostas da síntese final do Sínodo, a preocupação em integrar o contributo reflexivo e pastoral de várias conferências episcopais, e uma forte fundamentação teológica em São Tomás de Aquino. São muito abundantes as reflexões que o próprio papa Francisco já nos foi oferecendo ao longo destes três anos de frutuoso magistério.

Continuaremos, querendo Deus, pois esta Exortação bem o merece.

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