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Ano Pastoral 2021+2022

"Onde há amor, nascem gestos"

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2 Mar 2022
Escutar o silencioso ponto Cruz
Homilia na Quarta-feira de Cinzas.
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  © Avelino Lima / DM

1. Coração limpo e espírito firme

O tempo favorável da Quaresma inicia com o símbolo austero das cinzas e dos apelos ao silêncio, à oração, à esmola e ao jejum. A oração prolonga-se na caridade e o jejum torna-se uma ecologia integral no silêncio da simplicidade e autenticidade quotidianas. Os “pontos de esforço do ponto Cruz”, ou seja, as boas obras não se fazem para serem vistas, mas porque acreditamos no próprio valor das boas obras acontecem no silente ponto Cruz.

A dimensão contemplativa da vida precisa de silêncio. Precisamos de uma ecologia do silêncio na demanda da paz do coração.

O Lausperene quaresmal, as quarenta horas ou as vinte e quatro horas para o Senhor, em adoração eucarística, tão peculiar na nossa cidade e arquidiocese, nos converta o coração ao silêncio que nos abraça. Com efeito, «Na oração temos de conseguir calma e recolhimento. Mas andamos mergulhados na agitação, sempre de um lado para outro. Vivemos na infernal balbúrdia da cidade, da nossa profissão. Como é que nos havíamos de sentir à vontade no silêncio da prece? Dá-nos a impressão de estarmos a perder tempo» (Romano Guardini).

No salmo 50 que cantamos, pedindo ao Senhor o perdão dos pecados e o dom da graça: «criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme», nos ajude a prosseguir um autêntico e humilde caminho de conversão, que implica purificação do coração e mudanças de estilo de vida. Um coração limpo é aquele que não se contamina, nem com o bem que faz, nem com o mal que pratica.

2. As encruzilhadas do silêncio

Jejuamos e rezamos pela paz, especialmente na Ucrânia. Juntos pedimos a paz!

No caminho quaresmal e pascal, recordamos as crianças, os adolescentes, os jovens, as famílias, os idosos, os doentes, os enlutados; unimo-nos aos catecúmenos, aos consagrados, aos diáconos e aos sacerdotes; sintonizamo-nos com as encruzilhadas que os governantes, os profissionais de saúde e as forças de segurança enfrentam no seu quotidiano em benefício de todos.

Ninguém está só!... Cada pessoa está unida ao amor de Cristo, que deu a vida por nós. É o amor que salva, não é o sofrimento: «Toda a nossa glória está na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo!. N’Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres» (cf. Gl 6, 14). 

O caminho da Quaresma aparece-nos, assim, como um rumo de esperança, que apresenta passos concretos para a nossa conversão pessoal, pastoral, cultural, ecológica, sinodal, samaritana e missionária, através de uma redescoberta da relação com Deus (oração), com os outros (partilha) e connosco próprios. 

Continuaremos a destinar o Contributo Penitencial para duas finalidades: o Fundo Partilhar com Esperança e a Missão em Ocua, Pemba, Moçambique. 

Todos, sem exceção, a viver nesta encruzilhada, teremos a Cruz no coração da nossa vida e, certamente, novos horizontes se abrirão. Este é o ponto (um cubo), que se abre em forma de cruz, é sinal da abertura à vida; sinal da novidade cristã, da reconciliação a dar-se, da alegria comunitária, da vocação da sinodalidade em processo. 

Os obstáculos são feitos para serem enfrentados e superados.

Não é esta glória que já vislumbramos no silêncio da Cruz de Jesus? «Neste caminho, para não perder o rumo, coloquemo-nos diante da cruz de Jesus: é a cátedra silenciosa de Deus» (Papa Francisco). O silêncio de Deus não significa a ausência de Deus.

3. Fazer o bem, faz sempre bem

«Não nos cansemos de fazer o bem; porque a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos» (Gl 6, 9-10). O bem faz sempre bem e nunca se perde. 

A Quaresma, como se indica na força expressiva do próprio nome, está programada para quarenta dias em ordem à preparação da solenidade da Páscoa. Para a determinação da duração deste tempo assumiu grande infuência a tipologia bíblica dos quarenta dias, isto é, o jejum de quarenta dias de Jesus no deserto; os quarenta anos passados pelo povo de Deus no deserto; os quarenta dias de Moisés no monte Sinai; os quarenta dias em que Golias enfrentou Israel até que David o derrubou; os quarenta dias que Elias precisou para subir ao monte de Deus, o Horeb; os quarenta dias da pregação de Jonas aos habitantes de Nínive.

A Quaresma é, por isso, um tempo do dom da graça: «A graça enche, mas não pode entrar senão onde houver um espaço vazio para a receber, e é ela que cria este espaço» (Simone Weil).

 Juntos somos a Igreja sinodal samaritana!

Santa Maria do silêncio e os nossos santos padroeiros nos inspirem caminhos novos e audazes para mostrarmos ao mundo a Igreja sinodal samaritana que desejamos ser cada vez mais, na medida em que a nossa glória está no silêncio da Cruz de Jesus.

 

 † José Cordeiro, Arcebispo Primaz

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