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2 Fev 2023
Mensagem para a Quaresma/Páscoa 2023
Habitando entre nós... para libertar! “Foi para a verdadeira liberdade que Cristo vos libertou!” (Gl 5, 1)
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  © Avelino Lima

Amados irmãos e irmãs!

Acolham estas nossas palavras, que vos escrevemos, como palavras peregrinas, que vão do nosso coração ao encontro do vosso, para juntos vivermos a Quaresma como caminho de regresso à Páscoa, a Cristo ressuscitado.

Bem sabeis que o Tempo Quaresmal e Pascal é uma realidade temporal e espiritual, que nos apela à autenticidade dos gestos e nos quer libertar do ritualismo vazio, sem espírito.

Dando continuidade à caminhada de Advento e Natal, desejamos agora que cada discípulo de Cristo intua a presença de Deus entre nós como uma presença libertadora, salvadora: “foi para a verdadeira liberdade que Cristo vos libertou” (Gl 5, 1). Há no caminho quaresmal uma luz pascal, libertadora, que assume a nossa condição frágil, sem tragédia, mas oferece-lhe a possibilidade de ser redimida, salva, amada. 

Habitando entre nós (Jo 1,14), Cristo continua a visitar-nos nas realidades e circunstâncias da vida em que cada um se encontra, oferecendo o seu coração de irmão e a sua mão protetora e misericordiosa. A caridade de Cristo entre nós manifesta a proximidade de Deus. Na verdade, “onde há amor, aí habita Deus”. 

 

O amor de Deus por nós não muda!

Esta é uma certeza que nos habita. Deus ama de tal modo os seus filhos que só sabe amá-los. A Quaresma é, por isso, uma experiência de encontro com o amor corpóreo de Deus, manifestado em tantas pessoas e acontecimentos da vida. Fazer a experiência deste amor é um exercício da vontade. O Salmo 33 é desafiador: “voltai-vos para Ele e ficareis radiantes, o vosso rosto não se cobrirá de vergonha. O pobre clamou e o Senhor o ouviu, salvou-o de todas as angústias” (Sl 33, 6-7).

O Senhor alegra-Se com a nossa disponibilidade para estar com Ele. Alegra-Se por poder habitar no nosso coração. Que esta caminhada Quaresmal e Pascal possa revestir o nosso rosto da alegria que brota da presença libertadora do Ressuscitado e permaneça em nós todos os dias.

 

O amor de Deus não se ganha nem se perde.

Deus conhece os nossos corações; Ele conhece as nossas alegrias e esperanças. Ele conhece as nossas angústias, pecados, fraquezas, tristezas... Ele vê-nos, sabe quem somos, como e onde estamos, e, mesmo assim, ama-nos acima de todas as coisas. Isso nunca muda! O que muda é a nossa resposta ao Seu amor. Mesmo antes de fazermos a experiência do amor de Deus, já antecipadamente Ele nos amou em primeiro lugar (cf 1 Jo 4, 19). E isto faz toda a diferença. Portanto, o amor de Deus não é uma conquista nem um merecimento. É, antes de tudo, o modo de Deus estar connosco, de nos habitar. Deus ama sempre e para sempre.

 

O amor de Deus é concreto

Jejuar, dar esmola e rezar são três verbos imprescindíveis na vivência quaresmal. Contudo, como os entendemos? Como os vivemos? O jejum, a esmola e a oração não podem ser práticas demonstrativas: praticá-las não é evidência de que estamos a fazer Quaresma! Também não podem ser retributivas: porque temos algo a provar a Deus! 

Quando dizemos que o amor de Deus é concreto, estamos a dizer que esse amor se realiza por meio de ações tangíveis, sensíveis. Todos somos mediadores desse amor tangível e sensível de Deus. Ora, se jejuo é porque o meu coração quer ver, como o samaritano: aflito, faminto; decidindo-me a fazer algo por ele. Se dou esmola é porque sou sensível à pobreza material e humana, e faço o meu melhor para que se erradique: mais do que dar é dar-se ao outro. Se rezo é porque desejo não me concentrar em mim mesmo, mas levantar a cabeça, olhar para o alto e voltar-me para Deus que é a minha liberdade. 

Estas ações ajudam-me a cultivar aquele movimento de saída de mim mesmo em direção ao outro. Ajudam-me a descentrar-me e a fazer-me próximo de todos. 

Também o contributo penitencial (Fundo Partilhar com Esperança e Paróquia de Ocua – Pemba) tem por princípio expressar um amor concreto, que seja corresponsabilizador, participativo, missionário, para que vá de encontro àquelas necessidades mais prementes da Igreja local ou universal. 

 

O amor de Deus “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13, 7)

Quando conhecemos que somos muito amados por Deus, ao mesmo tempo, reconhecemos que nem sempre correspondemos prontamente a esse amor maior. Passo a passo, em cada Domingo, o Senhor Jesus, através do Evangelho, vai colocar-nos perguntas, interrogar a nossa consciência sobre o nosso caminho para Deus, para o outro, para a casa comum... É a pedagogia de Deus que progressivamente nos chama à excelência do amor. E apesar do nosso desamor, Ele decidiu-se por nós. Mesmo que o pecado nos tenha feito entrar nas “sombras da morte”, o Deus que outro não é senão amor, como o bom pastor, vem ao nosso encontro, estende a Sua mão libertadora e oferece-nos o banquete da misericórdia. O sacramento da Reconciliação é essa mão estendida por Deus para nos fazer sair da escravidão da morte e oferecer-nos a vida nova, liberta de todas as prisões. É a Páscoa a acontecer. Ainda que os nossos pequenos “amores” nos cansem, nos enganem ou nos deixem sem vida própria, há um amor pleno, libertador, onde nem a dor, nem a angústia, nem a ansiedade nos poderão fazer desistir da verdadeira liberdade: a santidade. Diz-nos o Papa Francisco: “Deus espera-nos com a sua infinita misericórdia. Porque ali, onde somos mais vulneráveis, onde mais nos envergonhamos, Ele veio ao nosso encontro. E agora nos convida a regressar a Ele, para voltarmos a encontrar a alegria de ser amados”.

 

O amor de Deus dá-nos futuro

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma apresenta-se diante de nós com uma tenda desprovida de cobertura, como que despojada de qualquer amor, desabitada pelas fragilidades humanas, tantas vezes pelo pecado que insiste em despir-nos da veste batismal. Aparentemente há nessa tenda despida um vazio de Deus, como que se Deus nunca nos tivesse visitado... Contudo, nessa imagem está sobretudo um desejo de recomeço, de não permitir que tudo o que nos oprime vença, de voltar à verdadeira liberdade para qual Cristo nos libertou. Essa tenda não é apenas uma imagem simbólica. Essa tenda é cada um de nós, batizado, habitado pelo Espírito Santo, prometido pelo Ressuscitado e dado pelo Pai. Por isso, todo aquele que viver a partir do mistério pascal, esse, espontaneamente, alarga a sua tenda, torna-a espaço de missão, não lugar físico, mas experiência de fraternidade, ponto de encontro, espaço de liberdade, alegria, salvação. Na tenda dilatada, ampliada, fazemos a experiência da hospitalidade da Cruz de Cristo. Todos cabem lá. 

 

A vós que acolhestes estas palavras, desejamos uma santa Quaresma e uma fecunda Páscoa, na esperança de que juntos continuemos a sonhar uma Igreja missionária samaritana sinodal, cheios de alegria e entusiasmo.

 

+ José Cordeiro, arcebispo primaz
+ Nuno Almeida, bispo auxiliar
+ Delfim Gomes, bispo auxiliar

 
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