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13 Mar 2021
Sacramento da reconciliação em tempo de pandemia
Nota pastoral com orientações para o sacramento da Reconciliação
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1. O ministério da reconciliação exige uma tríplice fidelidade: a Jesus Cristo, de quem se é ministro, presente na Palavra de misericórdia e nos sinais sacramentais do perdão; ao penitente, a quem se deve servir e acolher incondicionalmente; a si próprio, pois o ministro está activo e a participar com todas as suas capacidades. 

2. No passado mês de Março de 2020, a Penitenciaria Apostólica publicou um Decreto em que sublinha que “mesmo em tempo de Covid 19, o Sacramento da Reconciliação se administra de acordo com as regras do Direito Canónico Universal e com as disposições do Ordo Poenitentiae”. Recorda-se que “a confissão individual é o modo ordinário de o celebrar” (cf. cân. 960 CIC), mas o documento aponta para a consideração de situações mais graves ou excecionais por parte do bispo de cada diocese.

3. Já tive oportunidade de preparar uma Nota Pastoral onde recordava toda a doutrina e que aconselho, agora, a leitura (26/11/2020). Aí se considerava a hipótese de, no tempo da Quaresma, proceder a determinações concretas. É isso que quero fazer neste momento, em que a anormalidade da vida pastoral provocada pela pandemia perdura.

4. Recordo aos sacerdotes e aos penitentes a importância e os cuidados a adoptar na celebração individual da reconciliação sacramental, que continua a ser recomendada, e aconselho os seguintes cuidados: celebração em lugar arejado fora do confessionário, adopção de uma distância conveniente, recurso a máscaras de protecção, sem prejuízo da absoluta atenção à salvaguarda do sigilo sacramental e da necessária descrição.

5. Reafirmamos a importância de valorizar as diversas formas, apresentadas no Ritual da Penitência (1973) para a celebração sacramental e não sacramental e tendo em conta o disposto pela Penitenciaria Apostólica: 

5.1. Concedemos a autorização genérica para as celebrações comunitárias com absolvição simultânea ou colectiva até ao Dia de Pentecostes 2021.

5.2. Sempre de harmonia com as orientações canónicas, se algum sacerdote reconhecer que no seu contexto pastoral e social se verifiquem situações concretas de necessidade grave, poderá optar por este modo de celebrar o Sacramento da Penitência, devendo para o efeito comunicar ao Arcebispo. 

5.3. Se um fiel se encontrar na dolorosa impossibilidade de receber a absolvição sacramental, recorda-se que a contrição perfeita, procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, expressa por um sincero pedido de perdão (o pedido que, nesse momento, o penitente é capaz de exprimir) e acompanhado pelo propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental, obtém o perdão dos pecados, também dos mortais (cf. Cat. Ig. Cat., n. 1452); 

5.4. Os sacerdotes devem dar prioridade ao acompanhamento das pessoas, mediante um caminho que passa por “despertar nostalgia” (encanto pela Palavra de Deus), pela “libertação” (absolvição), “pacificação” (reconciliação) e “crescimento” (acompanhamento espiritual). Devem cumprir esta missão de acompanhamento e solicitude como coroa do seu ministério e conscientes de prolongarem no tempo a acção de Cristo; 

5.5. Apela-se, pois, aos sacerdotes que, em tempo de emergência sanitária, valorizem ainda mais a celebração do sacramento da reconciliação, fazendo com que aconteça não só por ocasião das festas litúrgicas e numa lógica de rotina, mas que coloquem na sua agenda pessoal tempo para acolher, escutar e acompanhar. A qualidade de vida pessoal e comunitária ressentir-se-á positivamente. 

A Igreja implora ao Senhor que a Humanidade seja libertada do flagelo da pandemia, invocando a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Misericórdia e Saúde dos Enfermos, e do seu Esposo São José, sob cujo patrocínio a Igreja caminha desde sempre no mundo. 

Que Maria Santíssima e São José nos obtenham abundantes graças de reconciliação e de salvação, na escuta atenta da Palavra do Senhor, que repete hoje à humanidade: “Eu estou sempre convosco” (Mt 28,20).

 

 † Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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