Arquidiocese de Braga -
29 agosto 2025
Sé Primaz deve representar fonte de vida da Arquidiocese de Braga

DM - Francisco de Assis
A mais antiga Sé Catedral de Portugal festejou ontem uns impressionantes 936 anos de existência. Na eucaristia solene celebrativa, o Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, enfatizou a importância da Sé primaz, como centro espiritual e litúrgica da Igreja de Braga, e fonte da vida de toda a Arquidiocese.
A eucaristia festiva foi antecedida da Oração de Vésperas, onde participaram o Bispo Auxiliar de Braga, D. Nélio Pita, cónegos e vários sacerdotes de Braga, bem como o povo cristão. Na homilia, o Arcebispo Metropolita de Braga referiu que a vitalidade de um povo pode ser aferida pelo modo como esse povo olha a raízes da sua história.
Ao falar da antiguidade da Sé Primacial de Braga, D. José Cordeiro salientou que as pedras podem ser velhas, mas a construção é nova. «A nossa Sé primaz é antiga, a mais vetusta em Portugal, comemora hoje [ontem] 936 anos da sua dedicação sob o olhar materno de Santa Maria de Braga. A Sé primaz tem sido uma bússola física e espiritual da Igreja peregrinante na Arquidiocese bracarense. Celebrarmos o aniversário da dedicação desta Sé, ocorrida no ano de 1089, é fazer memória do passado, do muito que aconteceu como graça».
O prelado bracarense vincou que a Igreja de Braga não comemora as pedras que edificam o templo, o qual, nas diversas épocas, foi conhecendo diferentes remodelações, mais ou menos profundas. «Celebramos, sim, as pessoas que ao longo do tempo foram construindo a Igreja que peregrina em Braga a partir da casa de todos. A Sé primaz representa toda a Arquidiocese e é a fonte da vida da Arquidiocese. É lugar de oração, de escuta da Palavra e de encontro com Deus e com os outros, porque a catedral tem de ser expressão de uma comunidade que quer viver unida pela fé, pela liturgia e pela caridade», reforçou.
Uma Igreja feliz
Ao dirigir-se à assembleia cristã e aos concelebrantes, o Arcebispo de Braga desejou uma Igreja de Braga feliz. «Queremos, assim, que a Igreja de Braga seja “Igreja feliz, morada de Deus com os homens, templo santo, construído de pedras vivas, edificada sobre o alicerce dos apóstolos, tendo Cristo Jesus como pedra angular”; queremos que aqui “os pobres encontrem misericórdia, alcancem os oprimidos a verdadeira liberdade, e todos os homens se revistam da dignidade de filhos (...), até chegarem, exultantes de alegria, à Jerusalém do alto, a cidade do Céu», apontou, citando a oração de dedicação de uma igreja, como aconteceu com a Sé, no dia 28 de agosto de do ano 1089.
D. José Cordeiro lembrou que a aptidão primordial de uma igreja Catedral não é a de ser um museu ou tesouro de obras de arte, nem de ser um lugar turístico ou sala aprazível de concertos, mas antes de tudo, «o centro espiritual e litúrgico da Igreja local. Por isso, a importância da liturgia celebrada na Sé não é de ordem cerimonial, mas teológico. A qualidade e a beleza da evangelização e celebração litúrgica, da arquitetura, das artes, nomeadamente, a escultura, a pintura, os vitrais, a ourivesaria, os mármores, as pedras, os tecidos, os sinos, o canto, a música, a oração, a cultura e a caridade pastoral são eloquentes e comprometem o Arcebispo, o Cabido, o Presbitério e todo o Povo Santo de Deu», vincou.
Na homilia, D. José Cordeiro disse ter ficado impressionado com uma frase que ouviu por estes dias, que dizia: «nos lugares desertos construiremos com tijolos novos», um título tirado dos Coros de “A Rocha”, de Thomas Stearns Eliot, que foi usado para o Meeting para a amizade entre os povos, que anteontem se concluiu em Rimini, Itália. «A expressão mostra o tom de esperança e renovação, mesmo em tempos de desolação, para uma esperança pastoral. A conversão evangelizadora está em seguir Jesus na conversão contínua. Este é o convite à coragem de uma conversão progressiva, para crescer e viver em Cristo, de batizados a cristãos adultos na fé. Estamos a percorrer o caminho de Páscoa com os trilhos da conversão ao Evangelho e a oração e vida espiritual e propomo-nos continuar com 2 novos trilhos: participação ativa e criativa / servir e acolher a todos. Para criar há que crer. Então, arrisquemos recomeçar o que merece ser continuado», desafiou o Arcebispo de Braga.
Peregrinações jubilares permitem que centenas conheçam a Catedral
Na celebração dos 936 anos da Sé Primacial, que decorreu ontem, o Arcebispo de Braga apontou outros “benefícios” que o Ano Santo e as peregrinações jubilares têm trazido à Igreja de Braga. Assim, para além do reforço do espírito de união como Igreja, as peregrinações jubilares têm permitido que centenas ou até milhares de arquidiocesanos visitem a Sé Catedral de Braga, a Igreja Mãe pela primeira vez.
«O Ano Santo da esperança experiencia-se também na peregrinação jubilar, “gritar com alegria”, à Sé Primaz (7 dos 13 arciprestados já realizaram a feliz e esperançosa peregrinação: Amares e Terras de Bouro, Barcelos, Braga, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Fafe e Guimarães e Vizela). Dos milhares de pessoas peregrinas, muitas centenas vieram pela primeira vez à Sé primaz», disse, com satisfação, D. José Cordeiro.
E enfatizou que a Igreja é povo a caminho: «Enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra em que habita a justiça (cf. 2 Pd. 3,13), a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores de parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus», afirmou, citando “Lumen Gentium”, [Luz dos Povos], um dos mais importantes textos do Concílio Vaticano II.
Santos que passaram pela Sé de Braga
Para D. José, a metáfora do caminho ou da peregrinação é a mais comum para indicar a vida humana ao encontro de Jesus Cristo. Ou melhor, no livro dos atos dos Apóstolos, os cristãos são referenciados como os do “Caminho”.
«Cada tempo teve os seus desafios, e o nosso tempo traz-nos a responsabilidade de, olhando o passado, viver o presente e projetar o futuro com esperança e coragem. Tal como São Martinho, São Frutuoso, São Geraldo ou São Bartolomeu dos Mártires, cada um a seu modo, souberam propor o imutável Evangelho de Cristo ao mundo do seu tempo, cabe-nos a nós, hoje, renovar e não descurar esta missão por mais difíceis que os obstáculos possam parecer, para que a aliança entre Deus e o seu povo se materialize na vida de cada dia», desejou.
Calendário com santos da Igreja de Braga à espera de aprovação da Santa Sé
O Arcebispo de Braga enfatizou que o exemplo de vida dos santos e beatos do calendário próprio bracarense, do mais antigo, S. Pedro de Rates, à mais recente, Alexandrina de Balazar, mostram a busca de fidelidade a Cristo, a busca por ser adorador «em espírito e verdade».
«Isto é, com todo o nosso ser entregue a Deus, guiados pelo Espírito Santo, sem hipocrisia ou dissimulação, numa vida sincera e íntegra, lida à luz das Escrituras e da vontade de Deus, em todas as áreas da vida. Uma vida feita de contradições, com pecados e virtudes, mas mesmo assim indispensável aos olhos de Deus», disse D. José, acrescentando. «Temos um passado rico, do qual se destacam algumas pessoas, os santos do nosso calendário próprio, aprovado em 2024, e cujos livros – Missal/Lecionário e Liturgia das Horas – se encontram em fase final de elaboração, para obter da Santa Sé a devida confirmação/reconhecimento.Esperamos que as orações, leituras e ilustrações que estarão nesses livros, e que queremos em breve disponibilizar, venham a contribuir para um fortalecimento da vida espiritual de cada fiel desta amada Arquidiocese», desejou, o Arcebispo Metropolita.
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