Arquidiocese de Braga -

5 janeiro 2026

D. José pede aos fiéis que ajudem a divulgar a mensagem de Alexandrina

Fotografia DM

 DM - Jorge Oliveira

O santuário de Alexandrina de Balasar esteve ontem repleto de peregrinos para festa de encerramento do Ano Jubilar da Esperança, que inclui um concerto de homenagem à religiosa, o lançamento de um novo volume das suas obras completas e a celebração da Eucaristia, presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Braga. Na solenidade da Epifania do Senhor, D. José Cordeiro centrou a sua homilia na liturgia do dia e no testemunho de vida da Beata Alexandrina, apelando aos fiéis para que assumam o dever de divulgar a sua mensagem de luz, esperança e reparação. «Tudo aquilo que nós podermos fazer para divulgar a mensagem que Deus quis comunicar através desta mulher grande, Alexandrina Maria da Costa, devemos fazê-lo. É um dever que temos», afirmou D. José Cordeiro. Reconhecendo que muito já foi dito e escrito sobre a Beata, o Arcebispo sublinhou a importância de aprofundar o conhecimento da sua linguagem simbólica e mística, por vezes exigente, mas profundamente atual. Nesse sentido, destacou a construção do futuro santuário eucarístico como um novo centro de espiritualidade para a Arquidiocese e para a Igreja, ao serviço de uma mensagem ainda pouco conhecida na sua verdadeira dimensão. Durante a celebração desta Festa da Esperança, D. José Cordeiro evocou a imagem dos magos presentes no presépio, lembrando que foram considerados loucos por seguirem uma estrela à procura de um rei, acabando por encontrar o “Sol da Justiça”. Uma imagem que associou ao percurso espiritual de Alexandrina, também ela incompreendida e alvo de críticas, mas movida por um amor maior que permanece vivo até hoje.

«Impressionou-me ouvir a gravação em que Alexandrina dizia que não tinha medo de ser chamada bruxa, impostora ou feiticeira. Foi assim tratada, mas o seu amor prevaleceu», recordou, acrescentando que, mais de 70 anos após a sua morte, milhares de pessoas continuam a encontrar Jesus Cristo através do seu testemunho. O Arcebispo destacou ainda a expansão internacional da sua mensagem, com particular impacto em países como a Indonésia, México, Irlanda e Itália. Na homilia, D. José Cordeiro destacou que a Epifania conduz ao mistério pascal e que o amor de Alexandrina ajuda a tocar esse mistério. Assim, convidou os cristãos a abrirem o coração à luz de Cristo, que iluminou a Beata e continua a iluminar todos os que se dispõem a acolhê-la. «Este Menino é a maior esperança para as nações», afirmou. D. José Cordeiro não deixou de evocar os «tempos complexos» que o mundo atravessa, lembrando a situação na Venezuela, após a intervenção dos EUA para capturar e julgar Nicolás Maduro, presidente do país, e o incêndio num bar na Suíça, que matou mais de 40 pessoas e feriu mais de uma centena, pedindo ao Senhor que ilumine os responsáveis políticos e conforte e dê coragem às famílias que perderam filhos. A Festa da Esperança estava inicialmente prevista para 28 de dezembro, mas foi adiada para o primeiro domingo de 2026, devido ao encerramento do Jubileu da Arquidiocese de Braga, na Sé Catedral naquela data.

Fundação lança novo volume das Obras Completas da Beata

A Fundação Alexandrina de Balasar lançou ontem o novo volume das Obras Completas de Alexandrina, correspondente ao volume 5 – tomo III das cartas ao Padre Mariano Pinho. A obra é da autoria do teólogo Alexandre Freire e insere-se no trabalho continuado de recolha, estudo e divulgação dos escritos originais da Beata Alexandrina. Com esta publicação, passam a ser oito os livros que reúnem os textos autênticos deixados por Alexandrina Maria da Costa, figura marcante da espiritualidade cristã portuguesa do século XX. À margem da apresentação, Alexandre Freire disse ao Diário do Minho que o vasto conjunto de cartas enviadas por Alexandrina ao seu diretor espiritual impossibilitou a sua publicação num único volume. O tomo agora lançado reúne a correspondência dos anos de 1936, 1937 e 1938. «São textos em que se vai percebendo como Alexandrina é moldada pela ação de Deus, mas também pelo acompanhamento espiritual do Padre Mariano Pinho. Nota-se como vai dando passos cada vez mais seguros no discernimento daquilo que é a sua missão», afirmou o teólogo, adiantando que se encontram já em preparação novos volumes. 

O presidente da Fundação e pároco de Balasar, padre Manuel Casado Neiva, sublinhou que se trata de um «trabalho sério e rigoroso» com o objetivo de dar a conhecer a verdadeira voz de Alexandrina. «Não aquilo que dizem dela, mas o que ela diz. Alguns textos são difíceis de entender, por isso é que temos um teólogo para interpretá-los», referiu, reforçando o compromisso de preservar e divulgar o legado espiritual daquela que D. José Cordeiro descreveu como uma verdadeira peregrina de esperança, «capaz de mover montanhas». Por sua vez, Alexandre Freire desejou ao padre Manuel Casado Neiva pleno êxito na divulgação destes textos comentados, sublinhando que o seu trabalho não pretende «mascarar o essencial». «São os textos de Alexandrina, é Alexandrina», afirmou. O lançamento do livro integrou o programa do encerramento do Ano Jubilar em Balasar, que teve início com um concerto de homenagem à Beata Alexandrina, sob a direção do músico António Casado Neiva. O musical reuniu canto, poesia, narrativa histórica, projeção de imagens da religiosa e uma gravação com a sua própria voz, proporcionando uma experiência sensorial e espiritual inspirada na sua mística e no testemunho de sofrimento eucarístico que marcou a sua vida. Além dos dois coros da paróquia, que interpretaram vários temas musicais, alguns com letra da própria Alexandrina, participou também o grupo musical de Santa Cruz, com um cântico popular. O concerto incluiu ainda a declamação do poema “Esperança”, da autoria de Paula Barbosa.