Arquidiocese de Braga -
1 abril 2026
Belíssima iniciativa dos nossos Bispos: presença nos lausperenes quaresmais
Padre Carlos Nuno
O penúltimo lausperene quaresmal aconteceu na igreja da Senhora-a-Branca, ontem e anteontem: segunda e terça da Semana Maior, mais conhecida por Semana Santa.
Esta iniciativa deve-se a Dom Rodrigo de Moura Teles que o instituiu em 1710. Na Senhora-a-Branca, consegui documentar que se realizou desde o primeiro ano. Até aos anos 90 do século XX, o lausperene começava na Sé Primaz, como ainda hoje, na quarta-feira de Cinzas, prolongava-se na quinta e terminava na sexta com encerramento solene pelas 11 horas, começando a essa hora na igreja escalonada para tal e seguia o mesmo ritmo de abranger 3 dias incompletos, sendo o terceiro apenas de manhã para o encerramento. Era o tempo de uma Braga profundamente rural, em que as pessoas podiam frequentar tais horários, sendo que o encerramento era sempre por volta das 17 horas, para não acabar de noite.
Com Monsenhor Joaquim Morais como pároco de São Vítor e arcipreste de Braga, promoveu-se uma apreciação na reunião de Zona Pastoral da cidade e decidiu-se que o Lausperene podia começar mais cedo e encerrar mais tarde, nunca esquecendo que a prioridade devia ser dada à Eucaristia, levando os fiéis a compreenderem que essa participação é que dá sentido ao prolongamento na exposição que, por seu turno, levar a mais e melhor participação na Eucaristia. Seria um engano passar fugazmente pelas igrejas em visita ao Santíssimo e descuidar a participação na Eucaristia.
Foi ainda decidido que o início e o termo do lausperene em cada um dos dois dias ficava à consideração do respetivo pároco ou capelão. Mais importante que um horário fixo de início e de encerramento, era que o maior número de pessoas pudesse participar na eucaristia de início do lausperene.
Verifiquei, quando quis harmonizar o horário sugerido: início às 8 horas e encerramento pelas 18 ou 19 horas que a presença na eucaristia das 8 era muito diminuta, inferior à habitual na missa das 9 horas. Por isso decidi passar a celebrar às 9h, o que levou a ter presentes muitas mais pessoas, ficando a Igreja cheia. O encerramento faço-o pelas 19 horas, atendendo também ao facto que várias pessoas me disseram que só acabavam o trabalho pelas 18 ou 18h30 horas o que as impedia de participar. Na oração comunitária intermédia, às 15h30 horas participa também muita gente, sobretudo de pessoas de fora da cidade e que se deslocam nos transportes públicos.
Na segunda, dia 30, presidiu o Bispo Auxiliar, D. Delfim Gomes e na terça o Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro. Eles poderão testemunhar melhor o que experienciaram, mas creio que ficaram muito gratamente surpreendidos. No final da eucaristia do dia 31, ao sair da igreja, estava um grupo de crianças do infantário de São Vítor com pequenas embalagens de doces que queriam que as pessoas comprassem, como forma de ajuda ao Centro Social Paroquial. D. José associou-se e conviveu com elas, como a foto documenta.
O arcebispo enalteceu a feliz combinação que se pode observar na Senhora-a-Branca: O Crucificado iluminado, sobretudo pela Palavra de Deus colocada aos seus pés, que, por sua vez, ilumina e dá sentido ao Evangelho e a toda a escritura; e Maria, de pé, numa peanha, ao pé da Cruz, sem nunca abandonar o Filho. Isto num dia em que o evangelho fala da fraqueza de Pedro e da traição de Judas. Maria não nos distrai. Leva-nos a contemplar com olhos maravilhados o Mistério central e fundante da nossa fé. E incita-nos a estar cada dia mais presentes junto da cruz de cada irmão, porque só assim o estamos junto do Senhor Jesus.
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