Arquidiocese de Braga -
6 maio 2026
Arquidiocese de Braga quer assegurar uma «vida digna» ao presbitério
DM - Jorge Oliveira
Conselho Presbiteral reuniu-se na casa da Obra do Amor Divino, na Póvoa de Lanhoso
A Arquidiocese de Braga deu mais um passo importante na definição do Estatuto Económico do Clero, um processo em curso há cerca de um ano e que tem envolvido arciprestes, vice-arciprestes, sacerdotes e leigos.
O tema esteve em destaque na Assembleia Plenária do Conselho Presbiteral, realizada neste dia 6 de maio, nas instalações da Congregação Obra do Amor Divino, em Travassos, no Arciprestado da Póvoa de Lanhoso, presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro. A reunião contou também com a presença dos Bispos auxiliares, D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita.
Na abertura dos trabalhos, D. José Cordeiro deu nota que a elaboração do Estatuto Económico do Clero assenta num caminho de escuta e participação conjunta, integrado na formação permanente dos presbíteros e orientado para uma Igreja «mais sinodal e ministerial».
«É um caminho que estamos a fazer juntos. Caminhamos sem deixar ninguém para trás. Queremos prosseguir com as nossas fragilidades e também com os nossas potencialidades que são maiores que as fragilidades», afirmou.
O prelado destacou a necessidade de uma abordagem que vá para além da côngrua (dimensão económica), integrando aspectos humanos, espirituais e pastorais, bem como princípios de «transparência, prestação de contas e avaliação».
«O cuidar o Estatuto Económico do Clero integra toda a vida presbiteral na relação com o povo de Deus, com as comunidades que estão confiadas a cada presbítero, o estilo de vida do sacerdote como testemunha credível do Evangelho», explicou o prelado, acrescentando que a missão do clero deve ser concretizada, na medida do possível, «em gestos, em atos e compromissos».
O primeiro secretário do Conselho Presbiteral, o cónego Manuel Joaquim da Costa, recordou que o trabalho de base deste processo começou a ser refletido na Assembleia dos Presbíteros de maio de 2025, continuou com o Conselho de Arciprestes e Vice-Arciprestes e depois a reflexão foi alargada às bases, envolvendo diretamente os sacerdotes, com vista à recolha de contributos.
Documento continua aberto a contributos
Na Assembleia, os conselheiros analisaram esses contributos e deram continuidade ao processo de «maturação» do Estatuto Económico do Clero que pretende, disse o cónego Manuel Joaquim da Costa, garantir uma «vida digna e equitativa para todos os presbíteros».
O documento está em fase avançada de elaboração, mas continua aberto a novos contributos.
De acordo com o cónego Manuel Joaquim da Costa, a proposta base «não é para ser imposta, nem será iniciada de forma abrupta», prevendo «ritmos diferenciados, sempre aberto a ajustes» tendo em conta o que for melhor para as comunidades e para os presbíteros.
«Neste momento estamos precisamente em caminho sinodal à descoberta do melhor», acrescentou.
A receptividade por parte do presbitério tem sido, segundo o responsável, globalmente positiva, embora reconheça que a mudança de hábitos e dinâmicas enraizadas representam um desafio, sobretudo num contexto marcado pelo envelhecimento de parte do Clero.
«Vemos que o presbitério é sensível ao facto de o Bispo e a Diocese estarem atentos. E creio que no diálogo, na sintonia, na demonstração continuada de interesse e de empenho no sentido de irmos ao encontro de todos, este trabalho, pouco a pouco, vai chegara bom porto», acrescentou.
Fragilidades no ministério sacerdotal
Além do Estatuto Económico, a Assembleia Plenária abordou as fragilidades dos sacerdotes no exercício do seu ministério, tendo como mote inspirador a mensagem e a intenção do Papa Leão XIV para o mês de abril.
O arcebispo alertou para o risco de dispersão em tarefas secundárias, reforçando a necessidade do sacerdote ser «coerente com o Evangelho» e de «espelhar a força de Jesus Cristo», numa Igreja que deve ser «casa de todos» e que deve cuidar de todas as dimensões da vida, incluindo a vida sacerdotal,«em comunhão com o Povo de Deus».
O Conselho Presbiteral reúne duas vezes por ano, nos meses de novembro e maio, e tem vindo a desenvolver um percurso de reflexão sobre a vida e missão dos presbíteros, no qual se insere a elaboração deste Estatuto Económico do Clero.
Partilhar