Arquidiocese de Braga -
8 junho 2026
Peregrinação arquidiocesana ao Sameiro desafia a levar amor ao mundo
DM - Jorge Oliveira
Milhares de fiéis participaram ontem na peregrinação arquidiocesana ao Sameiro, numa manifestação de fé que levou os peregrinos a percorrerem cerca de dez quilómetros desde a Sé Primaz até ao principal santuário mariano da Arquidiocese.
Integraram a peregrinação o Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, os bispos auxiliares D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita, o deão da Sé, o cónego José Paulo Abreu, membros do Cabido, dezenas de sacerdotes, diáconos e grupos, movimentos e confrarias de paróquias da Arquidiocese com os seus estandartes e bandeiras.
Na Eucaristia campal, D. José começou por destacar a presença de inúmeros peregrinos no Sameiro, numa manhã soalheira e com temperaturas de verão.
«Mais uma vez caminhamos até ao cimo deste belo monte para, com Maria e como Maria, cantarmos as maravilhas do Senhor», afirmou, sublinhando ser «impressionante» a presença de «milhares e milhares de pessoas», particularmente jovens.
Na homilia, intitulada “Povo peregrino do Magnificat”, o prelado convidou os cristãos a deixarem-se transformar pelo Evangelho e a partirem «ao encontro do mundo que precisa tanto do amor de Deus».
«É muito importante que na Arquidiocese de Braga a chamada piedade popular se mantenha viva, algo que se pode aferir pelas muitas pessoas que continuam felizmente e em crescendo a peregrinar nas peregrinação arciprestais e de um modo particular neste peregrinação arquidiocesana. Mas não basta a peregrinação ao cimo do monte se daqui não sairmos transformados pelo Evangelho», afirmou.
Depois de quase quatro horas de caminhada, que passou também pelo Bom Jesus, o prelado desafiou os peregrinos a deixarem Deus atuar em cada um deles pela força do Espírito Santo, tal como Maria deixou, e a percorrer o «caminho da entrega e do amor» proposto por Jesus Cristo.
«Deixemo-nos tocar por alguma palavra ou pelo silêncio experimentado, pelos passos realizados ao longo do percurso. Deus surpreende-nos sempre, se nós não estivermos distraídos», recomendou.
Partindo da passagem evangélica da vocação de São Mateus, D. José Cordeiro recordou que «nenhuma pessoa está excluída da possibilidade de salvação» e que ninguém está «irremediavelmente perdido» aos olhos de Deus.
A partir deste episódio bíblico, exortou os fiéis a centrarem-se na mensagem cristã, lembrando que «Cristo continua a chamar-nos», mesmo sabendo que «não somos perfeitos» e que «somos pecadores, tal como Mateus era».
«A mensagem do Evangelho é intemporal e por isso também nós nos podemos equivocar e passar ao lado do essencial do Evangelho, a misericórdia, cumprindo apenas o que é acessório, o sacrifício. Não entremos pelo secundário, mas tenhamos a coragem do essencial. Não entremos nunca nos jogos de poder, mas sim no serviço autêntico do Evangelho», acrescentou.
Inspirando-se num trecho da recém-publicada encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas”, sobre Maria, D. José Cordeiro lembrou que o caminho cristão é «o caminho da entrega e do amor» e voltou a desafiar os peregrinos a prolongarem a experiência vivida no Sameiro através do testemunho quotidiano.
«A peregrinação só fica completa, e só é verdadeira prova de fé, quando aceitamos estar com Jesus à mesa da Eucaristia e depois, com a sua graça, partimos ao encontro do mundo que precisa tanto do amor de Deus», concluiu.
A Eucaristia foi solenizada por um coro misto constituído por elementos do Coro do Seminário e do Coro do Sameiro.
Famílias procuram transmitir testemunho de fé às novas gerações
A Peregrinação arquidiocesana ao santuário do Sameiro, realizada este domingo, contou com a participação de inúmeras famílias, destacando-se a presença de muitos casais jovens acompanhados pelos filhos.
A fé, a devoção a Nossa Senhora e o desejo de transmitir o testemunho cristão aos filhos são os principais motivos que levam os casais e as famílias a participar nesta peregrinação ao principal santuário mariano da Arquidiocese, apurou o Diário do Minho junto de alguns entrevistados.
Um deles foi o casal Ribeiro, proveniente de Trandeiras (Braga), que participou na caminhada de fé juntamente com três filhos, dos quais dois (meninas) pertencem ao Agrupamento de Escuteiros da paróquia.
«Estamos aqui sobretudo pela fé, mas também pela tradição deste santuário que é muito agradável e acolhedor», disse Romeu Ribeiro. Apesar do percurso ser longo, considerou que a caminhada «não foi difícil».
«Faz-se com gosto, ainda mais com todo este significado», declarou, sublinhando a importância de transmitir estas vivências às novas gerações. «Fazemos questão de dar o exemplo aos mais novos, para que eles mais tarde também tragam os filhos ao Sameiro», acrescentou.
Também André Oliveira participou na peregrinação acompanhado da esposa e da filha de dez anos.
Para este peregrino, fazer a caminhada desde a Sé até ao monte do Sameiro foi uma oportunidade de testemunhar a fé em família. «Para mim é muito importante dar a conhecer este testemunho à minha filha», sublinhou.
André Oliveira participou pela segunda vez na peregrinação arquidiocesana, enquanto a esposa e a filha viveram a experiência pela primeira vez. Tanto a mãe como a filha classificaram a experiência como «muito boa».
«É uma caminhada, mas não é uma caminhada qualquer, é uma caminhada com fé e devoção à Senhora», salientou a esposa.
Já a pequena Mafalda destacou o convívio familiar como o momento de que mais gostou.
A devoção à Senhora do Sameiro foi também o motivo que levou o casal António e Maria Gonçalves, já com mais idade, a peregrinar da Sé até ao Sameiro, integrado no grupo da paróquia de Esporões.
Como foram dos primeiros peregrinos a chegar ao santuário, conseguiram um lugar à sombra, junto a uma árvore. E levaram um pequena cadeira para se sentar.
«Estamos a relaxar um pouco depois deste tempo todo o caminhar. Custou um pouco, mas vale a pena. Esperamos que a Senhora nos ajude», afirmou António Gonçalves, enquanto aguardava pelo início da missa.
A peregrinação contou também com a participação de cerca de 30 utentes do Lar Residencial e da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI) do Instituto Monsenhor Airosa. O grupo foi acompanhado pelo capelão da Instituição, o padre Tiago Varanda, pela diretora técnica, Maria Oliveira, por colaboradoras e por uma voluntária.
Segundo Maria Oliveira, os utentes vivem esta experiência «com muita emoção e entusiasmo». Durante a viagem até ao Sameiro, realizada em autocarro e carrinha, os participantes prepararam-se espiritualmente através da oração.
No apoio à organização da peregrinação estiveram vários agrupamentos de Escuteiros, entre os quais o da Sé, a dar assistência de primeiros socorros, distribuição de água aos peregrinos e apoio às comunicações por rádio, assim como um médico e duas enfermeiras, e a equipa de voluntários do santuário.
No final da Eucaristia, o presidente da Confraria, o cónego José Paulo Abreu, agradeceu a presença do grande número de párocos, da equipa formadora do Seminário e de seminaristas que acompanharam a peregrinação.
O responsável destacou ainda o contributo dos coros, dos escuteiros, dos voluntários, dos funcionários do santuário, do posto de enfermagem e de todos os que colaboraram na organização, incluindo os que transportaram o andor da Senhora do Sameiro.
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