Arquidiocese de Braga -

22 junho 2026

Adro de Balasar é um «belo lugar de encontro que remete para o céu»

Fotografia Junta de Freguesia de Balasar

Jorge Oliveira - DM

Paróquia aguardava há décadas pela renovação do adro da igreja paroquial

A comunidade paroquial de Santa Eulália de Balasar reuniu-se ontem em grande número para a inauguração das obras de requalificação e valorização do adro da igreja paroquial, numa cerimónia ao ar livre que contou com a presença do Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, da presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Andrea Silva, e de outros convidados.

Neste dia, a paróquia recordou e celebrou também o 194.º aniversário da Aparição da Santa Cruz naquele local, onde está erguida a centenária Capela da Santa Cruz.

Durante a sessão, D. José Cordeiro destacou a qualidade da intervenção realizada, classificando o novo adro como um «belo espaço de encontro», que convida à contemplação, ao convívio e à vivência da fé.

«Esta beleza remete-nos para o céu, para o verde dos campos, e faz com que a nossa vida também ganhe um horizonte de esperança, um horizonte de vida», afirmou o prelado.

O Arcebispo sublinhou ainda a singularidade do espaço, considerando que poucos adros na Arquidiocese de Braga possuem a amplitude do de Balasar.

Segundo D. José Cordeiro, o local abarca todas as dimensões da vida humana e traduz a missão da Igreja através da catequese, da liturgia e da caridade.

O prelado enalteceu igualmente o trabalho desenvolvido pelo arquiteto, pelo empreiteiro e por todas as pessoas envolvidas na concretização do projeto, salientando que a obra só foi possível graças à cooperação entre a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, a Junta de Freguesia de Balasar e a comunidade paroquial.

«É um ganho para todos, porque é um serviço à humanidade e ao encontro», referiu.

A propósito da celebração do 194.º aniversário da Aparição da Santa Cruz, D. José Cordeiro recordou a importância espiritual daquele acontecimento para a freguesia, considerando que este aponta para o futuro Santuário Eucarístico de Balasar, onde será erguida uma nova cruz de grande dimensão.

A requalificação do adro representou um investimento de 667 mil euros, acrescido de IVA, integralmente suportado pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.

Na sua intervenção, a presidente da autarquia, Andrea Silva, justificou o apoio municipal pela relevância daquele espaço de encontro para a vida da comunidade.

«Este espaço renovado serve não apenas para celebrações religiosas, mas para a vida da freguesia no seu todo: para os encontros depois da missa, para as procissões e para os momentos em que a comunidade se reúne», destacou.

A autarca salientou ainda a forte identidade espiritual de Balasar, considerando que poucas freguesias portuguesas apresentam uma ligação tão profunda entre fé, território e identidade coletiva.

Andrea Silva recordou a importância histórica da Aparição da Santa Cruz e o legado da Beata Alexandrina Maria da Costa, acrescentando que esta dupla devoção faz de Balasar um «destino de peregrinação único na nossa região».

Por seu lado, o pároco de Balasar, Monsenhor Manuel Casado Neiva, descreveu o renovado adro como uma «sala de visitas da aldeia» e o «pátio dos gentios», numa referência ao espaço de acolhimento existente no antigo Templo de Jerusalém.

O adro dá acesso à Capela da Santa Cruz, ao Velório de São José, ao Centro Paroquial e à Residência Paroquial, espaços profundamente ligados à vida da comunidade paroquial.

«É o espaço onde todos podem entrar e preparar-se para entrar no Santuário Santo. Gostaria que este adro fosse um lugar de convívio e de preparação para as celebrações na igreja», afirmou.

Referindo-se à Aparição da Santa Cruz, Monsenhor Manuel Casado Neiva sustentou que o acontecimento «não foi nem é uma lenda».

«É um facto histórico comprovado por documentos escritos e assinados pela autoridade eclesiástica. Foi uma preparação para a vinda de uma grande figura, a Beata Alexandrina», acrescentou.

Também o presidente da Junta de Freguesia, Marco Silva, expressou satisfação pela concretização da obra, recordando que a requalificação do adro era uma antiga aspiração da população e uma reivindicação com várias décadas.

O presidente da Assembleia de Freguesia lembrou que a empreitada, assumida pelo Município, só foi possível graças à colaboração entre a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia e a Paróquia de Balasar.

José Araújo incentivou a comunidade local a usufruir deste espaço, que classificou como «maravilhoso» e que, segundo afirmou, foi intervencionado para ser «fruído por todos».

 

D. José Cordeiro confirma à comunidade: novo Santuário de Balasar deverá abrir ao culto em outubro

O Arcebispo Metropolita de Braga deu ontem como praticamente certa a abertura ao culto do novo Santuário Eucarístico de Balasar no próximo mês de outubro, por ocasião da festa litúrgica da Beata Alexandrina, celebrada pela Igreja a 13 de outubro.

Na Eucaristia comemorativa dos 194 anos da Aparição da Santa Cruz em Balasar, o prelado revelou que o assunto foi abordado na semana passada com o Núncio Apostólico em Portugal, durante um encontro em Vila Real, tendo ficado acordada a realização da cerimónia de dedicação da igreja e do altar do novo Santuário Eucarístico de Balasar.

O pároco de Balasar, Monsenhor Manuel Casado Neiva, informou que, durante esta semana, será colocada a cruz no cimo da nova igreja, assinalando uma fase decisiva da conclusão da obra.

D. José Cordeiro mostrou-se confiante de que a inauguração do santuário contribuirá para reforçar a projeção internacional de Balasar enquanto local de peregrinação e de devoção eucarística.

«Depois de outubro, muitas mais pessoas virão a Balasar», afirmou, lembrando também a influência de São Carlo Acutis na divulgação do testemunho da Beata Alexandrina junto das novas gerações e dos fiéis de todo o mundo.

«O santuário de Balasar é hoje mais conhecido do que nunca e será ainda mais conhecido por causa de Carlo Acutis, que tornou a Beata Alexandrina ainda mais universal», acrescentou.

 

Pároco de Balasar recebe título de Monsenhor

No final da celebração da missa evocativa dos 194 anos da Aparição da Santa Cruz, o Arcebispo de Braga entregou ao pároco de Balasar, Manuel Casado Neiva, o documento do Papa Leão XIV que lhe confere o título de Monsenhor.

«É um título que não é apenas pessoal; é uma carícia de Deus à comunidade de Balasar, por causa da Beata Alexandrina Maria», afirmou D. José Cordeiro.

O documento pontifício foi assinado a 15 de abril de 2026 e consagra os direitos e deveres inerentes ao título de Monsenhor, conferindo-lhe, em particular, a dignidade de Capelão de Sua Santidade, o Papa Leão XIV.

Ao receber o documento, Monsenhor Manuel Casado Neiva manifestou humildade perante o gesto do Papa.

«Não me sinto digno deste título; aceito-o como uma graça de Deus», declarou perante os fiéis.

O sacerdote salientou que a distinção não lhe pertence apenas a si, mas a toda a comunidade.

«Tudo isto se deve a tanta gente que trabalhou comigo. Eu nunca trabalhei sozinho. Trabalho sempre em comunidade», afirmou, acrescentando que continuará a ser um «simples semeador do Reino de Deus».

A Eucaristia ficou ainda marcada pela celebração das bodas matrimoniais de um casal, Manuel e Emília, que completou 60 anos de casamento, e por um agradecimento às mordomas que estiveram envolvidas na festa do Senhor da Cruz deste ano.