Arquidiocese de Braga -

25 junho 2026

Cardeal Grech sobre o Sínodo: um caminho longo e promissor

Fotografia Vatican News

Vatican News

O secretário-geral do Sínodo, cardeal Mario Grech, fez a abertura do encontro em Roma que reúne os responsáveis ​​pelos organismos continentais da Igreja.

“Nunca houve um processo sinodal que gerasse tal impulso, tal seriedade”, afirmou o cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, ao abrir, ao final da tarde de terça-feira, 23 de junho, o encontro com os líderes das Reuniões Internacionais das Conferências Episcopais. O cardeal, que fez um breve balanço do caminho percorrido até ao momento, lembrando a singularidade do processo atual, destacou que “são numerosas, de facto, as iniciativas levadas a cabo pelas Igrejas locais (entre elas, as escolas de sinodalidade criadas para apoiar a formação; os simpósios, os congressos, os percursos de escuta e discernimento) para envolver os fiéis”. 

No entanto, salientou o cardeal, “só ficarei verdadeiramente satisfeito quando vir nascer um amplo movimento missionário, um impulso renovado que leve a Igreja a seguir em frente, a arriscar, a aproximar-se das pessoas, a testemunhar o Evangelho com liberdade e criatividade. Pois, como já foi repetido várias vezes, o objetivo último desta conversão sinodal não é simplesmente melhorar os processos internos ou tornar as nossas estruturas mais participativas”. Trata-se, antes, de anunciar a pessoa de Jesus Cristo, conforme se recorda no Documento Final da Segunda Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.

A pluralidade como dom

Para Grech, “se a sinodalidade não conduzir a um compromisso missionário renovado, se não inflamar os corações e não impulsionar as pessoas para a ação, se não der origem a comunidades que proclamem Cristo com alegria e parresia, então corre o risco de permanecer incompleta”. O secretário-geral recordou que esta missão está intimamente ligada à transição que a Igreja tem vindo a sofrer desde o Concílio Vaticano II, propondo um modelo de Igreja que valoriza os diversos contextos sociais e culturais em que as Igrejas locais vivem e desempenham a sua missão. “Estas variedades — teológicas, litúrgicas, pastorais, disciplinares — não são uma ameaça à unidade, mas uma das suas condições vitais”. Impedem que «a vida eclesial se reduza a uma única forma, a uma única sensibilidade ou a um único modelo cultural. A sinodalidade, neste sentido — prosseguiu —, não é simplesmente um método organizativo, mas o caminho pelo qual a Igreja aprende a reconhecer, a acolher e a integrar a pluralidade como dom do Espírito”.

Uma Igreja poliedrica

Em apoio desta visão, surge a imagem de uma Igreja poliédrica, perspectiva proposta não só pelo Papa Francisco (Evangelii gaudium, 236), mas também por Leão XIV na recente encíclica Magnifica humanitas (25). Para o secretário-geral do Sínodo, “a imagem do poliedro, adoptada por ambos os Pontífices, torna-se assim um verdadeiro ícone eclesiológico: a verdade única do Evangelho reflecte-se sob múltiplos ângulos, sem perder a sua unidade, mas enriquecendo-se com a pluralidade das culturas, das experiências e dos carismas. Aplicada à sinodalidade, esta lógica adquire especial eloquência. 

O caminho sinodal — acrescentou — não visa ocupar espaços institucionais ou redefinir equilíbrios de poder, mas gerar dinâmicas de escuta, discernimento e corresponsabilidade que, com o tempo, transformam a Igreja a partir de dentro. É um processo que não teme a diversidade, mas acolhe-a como um espaço onde a verdade do Evangelho pode ressoar de formas novas e inesperadas”.

O cardeal Grech concluiu então o discurso, lembrando também a dimensão ecuménica do processo sinodal. Os trabalhos prosseguiram na quarta-feira, 24 de junho, com sessões plenárias e grupos de trabalho, incluindo um momento de partilha entre os participantes sobre os principais desenvolvimentos na implementação do Documento Final (experiências significativas, dificuldades surgidas, prioridades pastorais), bem como sobre o papel dos organismos continentais no acompanhamento das Igrejas locais e dos agrupamentos de Igrejas, com especial atenção também ao papel da comunicação. Esta quinta-feira, 25 de junho, Leão XIV vai reunir-se com os participantes para um diálogo na Secretaria-Geral do Sínodo.