Arquidiocese de Braga -
6 julho 2026
S. Torcato continua a ser hoje farol para quem deseja seguir Cristo
DM - José Carlos Ferreira
O Bispo Auxiliar de Braga, D. Delfim Gomes, sustentou ontem que S. Torcato continua a ser, nos dias de hoje, «um farol para quem deseja seguir Cristo com coragem, humildade e fidelidade».
Na missa solene em honra de S. Torcato, um dos momentos mais importantes da Romaria Grande vivida durante este fim de semana na Vila de S. Torcato, em Guimarães, o prelado lembrou que S. Torcato «não viveu para si, viveu para Cristo, viveu para o povo, e a devoção a São Torcato cresceu porque o povo conheceu nele alguém que não cedeu quando a fé foi posta à prova». Hoje, sustentou, em Portugal e na Europa, os cristãos não são perseguidos, mas assistimos a algo mais subtil. «À tentação de diluir a fé, de a tornar inofensiva, de a esconder para não incomodar», disse. Contudo, salientou D. Delfim Gomes, S. Torcato continua a ensinar-nos uma coisa importante. «A fé cristã não é para ser guardada numa gaveta, é para ser vivida, testemunhada, proposta com amor. A fé, para S. Torcato, não era uma ideia, era uma relação, era um encontro com Cristo que nos conduz ao Pai», realçou.
Na sua homilia, o prelado lembrou que a tradição popular atribui a S. Torcado dons de intercessão e cura. Mas a maior cura que ele oferece, salientou, é a espiritual. E essa cura espiritual, explicou, é a «cura da indiferença, cura da falta de esperança, cura da fé adormecida, cura da vida sem sentido». São Torcato, bispo missionário dos primeiros séculos, foi apresentado pelo Bispo Auxiliar de Braga não apenas como uma memória histórica, mas como um modelo de conduta para os desafios atuais. O prelado descreveu-o como um pastor que viveu com «zelo apostólico, fidelidade inquebrantável ao Evangelho e coragem serena diante da perseguição». Por isso, sustentou D. Delfim Gomes, o seu legado reside na sua capacidade de ter vivido para Cristo e para o seu povo, sem ceder perante as adversidades. «A tradição apresenta-o como um pastor firme, mas sempre manso, que evangeliza não pela força, mas pela coerência de vida. A sua santidade nasce desta humildade que não se exibe, mas que transforma», disse.
Romaria Grande de S. Torcato vai fazer 175 anos «em grande»
A Solene Procissão em honra de S. Torcato, presidida pelo arcipreste de Fafe, padre José António Carneiro, foi ontem à tarde o momento alto da Grande Romaria de S. Torcato.
O cortejo religioso contou com carros alegóricos, centenas de figurados e os andores de Nossa Senhora, São Judas Tadeu, São Pedro e São Torcato. No final desta grande celebração, a Irmandade de São Torcato já pensa no próximo ano, em que a Grande Romaria irá comemorar 175 anos. O juiz da Irmandade aponta para uma comemoração «em grande» no impacto e no envolvimento. Ricardo Freitas sublinhou que o plano detalhado ainda está em construção, mas que a edição deste ano funcionou como «tubo de ensaio» para ideias e melhorias. «Queremos que seja uma festa grande não pelo seu tamanho, mas pelo impacto que pode criar nas pessoas», afirmou. O responsável frisou que a Romaria é «uma festa de todos», assente na identidade local e na participação alargada das organizações civis e religiosas da vila de S. Torcato e do Vale.
O presidente da Câmara de Guimarães, ao Diário do Minho, reconhecendo a importância desta romaria, garantiu que terá todo o apoio da autarquia. «É uma data simbólica e, seguramente, com a paróquia, a Irmandade de S. Torcato, a Junta, daremos um contributo para que essa data possa ser celebrada com dignidade ainda maior», disse Ricardo Araújo. O presidente da Junta da Vila de S. Torcato, Antero Freitas, mostrou-se convencido de «que toda a comunidade se vai unir para que seja uma grande celebração» vivida por todos, sejam, ou não, desta freguesia de Guimarães.
Partilhar