Arquidiocese de Braga -
9 julho 2026
Arcebispo de Braga apresenta "O Império das Sombras" em sessão literária na igreja de São Francisco
Cónego Hermenegildo Faria
D. José Cordeiro, arcebispo de Braga, apresenta o romance O Império das Sombras, do escritor realense Fernando Pinheiro, no próximo dia 10 de julho, a partir das 21h45, no átrio da sacristia da igreja de São Francisco, em Real, segundo uma organização da respetiva paróquia.
Esta tertúlia literária antecede o programa da Feira Quinhentista, que se realiza no sábado e domingo seguintes, de acordo com uma organização da União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe e do movimento associativo local. Além do arcebispo, serão oradores no referido evento literário o cónego Hermenegildo Faria, pároco da comunidade, e Francisco Silva, ex-autarca e atual professor do Agrupamento de Escolas D. Maria II.
Depois de o arcebispo D. Francisco Senra Coelho ter feito, em Évora, a apresentação da obra literária em apreço, é agora a vez de D. José Cordeiro comentar um romance histórico que, entre as suas numerosas temáticas, narra acontecimentos vividos na região de Braga no contexto da Restauração da Independência e da prolongada guerra travada com Espanha, no período compreendido entre os anos de 1640 e 1668.
Entre os acontecimentos que abalaram a cidade de Braga, o texto refere, com particular acuidade, o drama que atingiu a pessoa do arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires, bem como a agitação popular que se seguiu ao alevante de D. António, Prior do Crato, como rei de Portugal. Por outro lado, também são referidos outros arcebispos de Braga que estiveram com a causa filipina ou que foram nomeados inquisidores-gerais do Tribunal do Santo Ofício, que tinha sede central no Palácio dos Estaus, em Lisboa.
Face ao abuso judiciário que caracterizava este tribunal, criado por Roma para a fiscalização da doutrina e do culto católico, foram vários os homens da Igreja que pugnaram pela humanização da chamada Inquisição, sobretudo quando esta foi dotada de instrumentos repressivos. Dentre essa plêiade de humanistas, destaca-se a figura do padre António Vieira, que, durante mais de trinta anos, desencadeou uma persistente campanha a favor da reforma dos «estilos» da Inquisição, tendo em vista o respeito pelos mais elementares direitos dos presos.
Paralelamente a estas problemáticas políticas e religiosas, o romance descreve o quotidiano do povo simples, num tempo marcado pela carestia de vida, pelo peso dos impostos e pelo êxodo de milhares de famílias judias e cristãs-novas para o centro e norte da Europa. O autor, do ponto de vista histórico e sociológico, serviu-se de uma família portuguesa igual a tantas outras que, depois de denunciada à Inquisição, tomou o difícil e penoso caminho da expatriação.
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