Arquidiocese de Braga -
27 julho 2026
D. Nélio Pita apela à proximidade para vencer a solidão dos idosos
DM - Rita Cunha
A solidão, a fragilidade e o valor insubstituível dos idosos estiveram no centro da mensagem deixada por D. Nélio Pita, Bispo Auxiliar de Braga, durante a celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que decorreu ontem na Sé de Braga. Perante uma catedral repleta de fiéis, o prelado dirigiu palavras de esperança aos mais velhos e lançou um apelo às famílias e, em especial, aos mais jovens, para que não deixem os idosos entregues ao abandono.
Recorrendo à mensagem do Papa Leão XIV para esta jornada, D. Nélio Pita recordou que «não há dinheiro que pague a presença de um filho ou de um neto» e sublinhou que «só a proximidade física de alguém efetivamente significativo pode resgatar a pessoa idosa da ameaça da solidão».
«O abandono é uma das experiências mais dolorosas que uma pessoa pode viver», afirmou, comparando esse sentimento a «cair num buraco negro» e a enfrentar «um profundo desamparo». Por isso, desafiou os jovens a retomarem o hábito de visitar os avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem visitas, tornando-se instrumentos através dos quais «os irmãos mais velhos experimentam que Deus nunca os esquece».
Ao longo da homilia, o Bispo Auxiliar de Braga recorreu à imagem da Igreja como uma «boa avó», guardiã da memória, da fé e da esperança.
Comparou ainda a própria Sé de Braga a «uma idosa cheia de vida e ainda capaz de sonhar», que continua a acolher gerações e gerações de fiéis, mantendo sempre «a porta aberta para os seus filhos e netos».
Dirigindo-se aos avós e às pessoas idosas, D. Nélio Pita evocou as palavras do Papa Leão XIV: «Não tenhais medo da fragilidade». Explicou que, quando é acolhida e aceite, a fragilidade «abre o coração ao apoio mútuo» e pode tornar-se uma oportunidade para fortalecer a vida espiritual.
«O nosso corpo pode tornar-se mais débil e cansado, mas o espírito permanece forte e determinado», afirmou, acrescentando que é precisamente na última etapa da vida que muitas pessoas descobrem, de forma mais profunda, a ternura de Deus.
A partir do Evangelho proclamado, o prelado lembrou ainda que o Reino de Deus começa a construir-se na vida quotidiana, através de pequenos gestos de amor, proximidade e cuidado. «Jesus não nos pede apenas que esperemos pelo Céu; pede-nos que façamos o Céu neste mundo», afirmou, apelando à construção de famílias, comunidades e sociedades mais fraternas e acolhedoras.
Na parte final da homilia, D. Nélio Pita deixou uma das mensagens mais marcantes da celebração, alertando para a tendência de uma sociedade que, por vezes, olha para os idosos como um peso. «As pessoas são sempre muito belas, muito importantes; não são descartáveis, não são dispensáveis», frisou.
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