Arquidiocese de Braga -

20 agosto 2026

Papa defende que «a música faz parte da ação litúrgica e não é mera decoração da celebração»

Fotografia Vatican Media

DM com Ecclesia

O Papa Leão XIV defendeu ontem, na audiência geral, no Vaticano, a importância da música na ação litúrgica e destacou que o canto contribui para a superação das diferenças entre as pessoas. «A música, de facto, faz parte da ação litúrgica e não é mera decoração da celebração. Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e dos irmãos e com Deus, na participação ativa no mistério celebrado», afirmou Leão XIV, na Basílica de São Pedro.

O pontífice lembrou Santo Agostinho, que dizia que cantar é próprio de quem ama, enfatizando que «isto é muito importante, porque ajuda a abrir o coração à ação de Deus na graça e a deixar-se moldar por ela».

O Papa deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, centrando-se no sexto capítulo do documento, dedicado à música sacra. «O canto favorece a comunhão. Através da sinfonia das vozes, contribui para a união dos espíritos, superando as diferenças entre as pessoas e reunindo todos no louvor a Deus.

Torna-se assim uma epifania da Igreja, uma manifestação tangível da comunhão que pertence à sua própria natureza», salientou.

Leão XIV evidenciou que «do profundo significado teológico do canto sacro, como parte integrante da ação litúrgica, derivam algumas exigências», apontando uma primeira: «Para além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores, este deve corresponder, a todos os níveis, ao que é mais adequado para o momento celebrativo».

Quanto à forma, «especialmente no seu aspeto melódico», o Papa considera que deve ser «simultaneamente nobre e simples, de elevada qualidade musical e de fácil execução, sobretudo quando se destina a ser cantada por toda a assembleia». «Pela mesma razão, o Concílio recomenda que também os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja», lembrou Leão XIV, acrescentando que «é necessário velar por isso, para que se mantenha viva e cresça a dinâmica expressa no antigo princípio ‘lex orandi lex credendi’, ou seja, a lei da oração é também a lei da fé».

A intervenção abordou também a participação ativa dos fiéis, tendo o pontífice recordado que ela nasce de uma maior consciência do mistério celebrado e da sua relação com a vida quotidiana.

Relativamente à forma concreta como tal se pode concretizar através do papel específico da música sacra, o Papa ressaltou que a Constituição Sacrosanctum Concilium oferece uma resposta clara: «promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos» e «um silêncio sagrado».