Arquidiocese de Braga -

1 setembro 2026

Entre Fé e Cultura: uma viagem pela história no Museu Pio XII

Fotografia Reprodução

DACS

No coração do Centro Histórico de Braga há um espaço onde a história da humanidade e a história da salvação se encontram. É o Museu Pio XII, que guarda uma das mais relevantes coleções de arqueologia e Arte Sacra do Norte de Portugal e que, neste período de férias, merece uma visita com tempo e curiosidade.

É precisamente este o convite do Departamento Arquidiocesano da Comunicação Social (DACS), através da rubrica “Entre Fé e Cultura”: descobrir espaços, exposições, livros e outras propostas que fazem parte da riqueza cultural da Arquidiocese de Braga. Neste episódio, o Cónego José Paulo Abreu, diretor do Museu Pio XII, conduz a visita por algumas das salas e peças que ajudam a contar esta história.

Logo à entrada, o próprio edifício começa a contar a sua história. A casa nasceu no século XVI, no tempo de D. Diogo de Sousa, para funcionar como um grande colégio de humanidades. Cerca de 30 anos depois, passou para os jesuítas e tornou-se uma importante referência no ensino em Braga.

É também aqui que se encontram duas figuras que ajudam a perceber a origem do museu: o molde em gesso do Papa Pio XII, que deu nome à instituição, e a representação do cónego Luciano Afonso dos Santos, fundador do museu, em 1957.

Como explica o Cónego José Paulo Abreu, “o Cónego Luciano Afonso dos Santos, fundador do Museu Pio XII, foi também um arqueólogo. Isso marcou o destino deste museu, que essencialmente integra essas duas vertentes. A vertente da arqueologia resulta das escavações que ele fez, das peças que foi encontrando, pois, a segunda componente, a Arte Sacra, quando ele via peças de interesse, enfim, lá mostrava a vontade de eles recolher. Foi um grande recoletor.”

A visita começa pela arqueologia, numa viagem que atravessa diferentes períodos da humanidade. Cerâmicas, pesos de tear, utensílios, moedas, vidro e um mosaico romano ajudam a perceber como viviam as pessoas, como cultivavam a terra, pescavam, caçavam ou produziam os objetos de que precisavam no quotidiano.

“Todos temos curiosidade de saber de onde vimos e porque é que agora somos assim”, explica o diretor do museu. É essa curiosidade que a exposição procura despertar, convidando os visitantes a recuar até aos primeiros tempos da humanidade e a acompanhar o percurso que conduz ao cristianismo.

A segunda grande vertente do museu é a Arte Sacra, apresentada na exposição “Uma Luz Brilhou nas Trevas”. A partir daí, a narrativa muda, mas continua a contar uma história que atravessa séculos: a de Cristo, da Igreja e da vivência da fé.

Entre as peças está uma representação da Última Ceia, no formato de oratório, oferecida recentemente por uma família de Braga. Num formato pouco habitual, a cena apresenta Cristo e os discípulos à mesa, com pão, pratos e talheres, numa representação particularmente realista.

Há também vestes litúrgicas, objetos utilizados nas celebrações, relicários, crucifixos e peças de devoção pessoal. Uma das salas reúne uma expressiva coleção de arte devocional portuguesa, incluindo uma peça que pertenceu a D. Maria. Noutro espaço, o visitante pode conhecer o trabalho artesanal de José Maurício, de Guimarães, que produz à mão verdadeiros trabalhos de filigrana e rendilhado.

A história da Igreja ganha ainda rostos e nomes como São Geraldo, São Martinho de Dume e Frei Bartolomeu dos Mártires. Este último tem um lugar especial no percurso do museu. “Quisemos representar aqui neste século XVI e XVII, um homem que marcou a história da Igreja com uma força brutal, que é o Frei Bartolomeu dos Mártires, que esteve presente no Concílio de Trento, como sabemos, e que visitou a Arquidiocese toda, no tempo em que esta englobava a Viana do Castelo, Vila Real, e a maior parte de Bragança-Miranda. Uma peça representativa é um altar portátil, que ele levava, para poder celebrar a Eucaristia ao longo do caminho”.

Mas a visita não termina na exposição permanente. O Museu Pio XII acolhe também a Galeria Museu Henrique Medina, dedicada ao pintor português nascido no Porto e falecido em Esposende, considerado um dos grandes retratistas portugueses do século XX. A galeria reúne hoje a maior concentração de obras deste artista, num acervo que continua a ser enriquecido.

E, como um museu que valoriza o passado, mas também está sempre conectado à atualidade, as exposições temporárias trazem artistas contemporâneos e temas relacionados com momentos específicos dos tempos litúrgicos e atividades da cidade, como a Noite Branca, em que o museu integra o programa cultural.

Entre arqueologia, Arte Sacra, pintura e memória, o Museu Pio XII propõe, afinal, mais do que uma simples visita: uma viagem pelas raízes daquilo que somos. Uma oportunidade para descobrir Braga por dentro e, talvez, olhar para algumas das suas histórias com outros olhos.

Museu Pio XII
argo de Santiago, 47
704-532 Braga, Portugal
elefone: (+351) 253 200 130
-mail: [email protected]

Horário: das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00.
Encerra ao domingo e à segunda-feira.