Arquidiocese de Braga -
8 setembro 2026
Arco de Baúlhe viveu uma grandiosa Romaria de Nossa Senhora dos Remédios
Santuário de Nossa Senhora dos Remédios
Fé, tradição e comunidade marcaram quatro dias de intensa celebração no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Arco de Baúlhe, com a presença do Cardeal Jean-Claude Hollerich
O Arco de Baúlhe voltou a vestir-se de fé, devoção e festa para celebrar Nossa Senhora dos Remédios. Entre a oração, a música, a tradição e a participação de milhares de pessoas, a Romaria deste ano ficará certamente na memória de todos como uma celebração particularmente bela e marcante.
O ponto alto das celebrações aconteceu na sexta-feira, dia 4 de setembro, e no domingo, dia 6, com a presença e presidência do Cardeal Jean-Claude Hollerich, do Luxemburgo, que aceitou o convite para peregrinar até ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios e viver com a comunidade estes dias de festa e de fé.
Uma multidão de luz acompanhou Nossa Senhora
Na noite de sexta-feira, o Santuário encheu-se para a celebração da Eucaristia, presidida pelo Cardeal Jean-Claude Hollerich.
Depois da celebração, uma verdadeira multidão saiu para as ruas do Arco, acompanhando em procissão a imagem de Nossa Senhora dos Remédios. Milhares de pequenas luzes iluminaram o caminho, criando um ambiente profundamente emocionante e transformando as ruas numa verdadeira manifestação de fé.
Na sua mensagem, D. Hollerich apresentou Maria como a Mãe das Dores, aquela que conhece e acolhe as dores dos seus filhos.
Com uma linguagem próxima e profundamente humana, recordou que Maria é a Mãe que pergunta ao seu filho se está bem, se tem frio, se está doente. Uma Mãe atenta, próxima e cuidadora.
E deixou uma imagem particularmente feliz: Maria é como uma mãe portuguesa — aquela mãe que não deixa de perguntar, que quer saber se estamos bem, que cuida, que acompanha e que permanece presente, sobretudo quando chegam os momentos difíceis.
Foi uma mensagem que tocou profundamente os corações de todos aqueles que, naquela noite, se colocaram sob o olhar e a proteção de Nossa Senhora dos Remédios.
Uma comunidade reunida à volta de Maria
No domingo, dia 6 de setembro, o Arco de Baúlhe voltou a encher-se para a grande celebração da Eucaristia solene em honra de Nossa Senhora dos Remédios, novamente presidida pelo Cardeal Jean-Claude Hollerich.
A celebração foi também marcada por um momento particularmente especial: a apresentação do novo Hino de Nossa Senhora dos Remédios, apresentado tanto na celebração de sexta-feira como na Eucaristia solene de domingo.
O novo hino tem letra do Padre Rui Filipe Marques Araújo e música do Padre Bruno Ferreira, constituindo uma nova expressão musical da devoção da comunidade à Senhora dos Remédios.
Na homilia de domingo, o cardeal deixou uma reflexão profundamente atual sobre a importância da comunidade cristã.
Partindo das palavras de Jesus — «onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» —, recordou que Jesus não precisa de uma multidão para estar presente. Precisa de encontro, de relação e de comunidade.
A mensagem foi clara: ninguém pode ser cristão sozinho. Cada pessoa tem uma relação pessoal com Deus, mas a fé conduz inevitavelmente ao encontro com os outros. O próprio Deus, recordou o Cardeal, não é solidão: é Pai, Filho e Espírito Santo. É comunhão, relação e amor que se dá. Mas o desafio está precisamente em passar das palavras à vida. Porque uma coisa é falar de comunidade; outra, bem diferente, é viver em comunidade.
Com simplicidade e humor, o Cardeal recordou as dificuldades que tantas vezes existem nas nossas famílias, aldeias e comunidades: pessoas que vivem a poucos metros umas das outras e que podem passar anos sem se falar. E deixou uma imagem que arrancou sorrisos, mas também muita reflexão: esquecemo-nos de onde colocámos as chaves há dez minutos, mas lembramo-nos perfeitamente de uma palavra desagradável que alguém nos disse há quinze anos.
A mensagem encontrou, assim, um ponto essencial da vida cristã: é preciso aprender a perdoar, a reencontrar o outro e a construir comunidade.
Nossa Senhora dos Remédios: a Mãe que cura as feridas do coração
A reflexão ganhou ainda maior significado por acontecer precisamente na festa de Nossa Senhora dos Remédios.
«Que nome tão bonito: Nossa Senhora dos Remédios!»
«Conhecemos os remédios para as doenças do corpo, mas também existem feridas e doenças do coração». E, como recordou o Cardeal com particular graça, «ainda não existe na farmácia um comprimido contra o rancor ou um xarope contra o orgulho». «É precisamente aí que Maria nos acompanha. Não para substituir Jesus, mas para nos conduzir sempre até Ele. Maria é aquela que aponta o caminho para Cristo, que reúne os seus filhos e que, como Mãe, nos ensina a cuidar uns dos outros», afirma o Reitor do Santuário, Padre Rui Filipe Marques Araújo.
«Esta Casa de Maria é também a sua Casa»
No final da celebração, o Padre Rui dirigiu palavras de profunda gratidão ao Cardeal Jean-Claude Hollerich pela sua presença, pela oração e pela peregrinação até Nossa Senhora dos Remédios. Agradeceu-lhe também por ter querido estar com a comunidade e sublinhou que aquela Casa de Maria é também a sua Casa.
Em nome de toda a comunidade e dos peregrinos, foi oferecido ao Cardeal um terço e uma estola com a imagem de Nossa Senhora dos Remédios, como sinal de gratidão, amizade e comunhão.
Uma Procissão do Triunfo que encheu as ruas
Mas a festa não terminou no altar. Na tarde de domingo, diante de uma verdadeira multidão, saiu à rua a Procissão do Triunfo de Nossa Senhora dos Remédios.
Foi um momento de extraordinária beleza e grandiosidade, com numerosos andores, figurado, cavaleiros, música e a participação de muitas instituições e grupos da comunidade.
Mas, acima de tudo, destacou-se a presença de tantos jovens e crianças, que deram à procissão uma força e uma esperança muito particulares.
Nas ruas do Arco de Baúlhe cruzaram-se gerações: os mais velhos, guardiões de uma devoção recebida dos seus antepassados; os adultos, responsáveis por manter viva a tradição; e as crianças e os jovens, que representam o futuro desta comunidade de fé.
Cada andor, cada estandarte, cada passo, cada cântico e cada pessoa que acompanhou a procissão ajudaram a construir uma manifestação que ultrapassou largamente a dimensão de uma simples tradição.
Foi uma verdadeira profissão pública de fé.
Uma festa feita por todos
A Romaria de Nossa Senhora dos Remédios foi também possível graças ao trabalho silencioso e generoso de muitas pessoas.
A comunidade paroquial, os colaboradores do Santuário, os grupos e movimentos, a Associação dos Festeiros, os músicos, os participantes no figurado, os cavaleiros, as crianças, os jovens, as famílias, as paróquias irmãs e todos aqueles que, de forma direta ou indireta, contribuíram para a realização das celebrações foram parte essencial desta festa. A todos se deve uma palavra de profunda gratidão.
A Romaria de Nossa Senhora dos Remédios mostrou, uma vez mais, que uma comunidade unida pela fé é capaz de fazer coisas verdadeiramente grandes.
«E talvez seja esta a mensagem que fica depois destes dias: Nossa Senhora dos Remédios não é apenas uma imagem que veneramos. É uma Mãe que nos reúne, que acolhe as nossas dores, que nos conduz a Jesus e que nos ensina a voltar a olhar uns para os outros como irmãos», destaca o Reitor.
O Arco de Baúlhe viveu dias de festa. Mas, mais do que isso, viveu dias de fé, encontro, comunhão e esperança. E, quando as últimas luzes da procissão se apagaram, ficou no coração de todos a certeza de que a Senhora dos Remédios continuará a caminhar com o seu povo.
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