Arquidiocese de Braga -
13 setembro 2026
Cerca de 200 catequistas de Braga debateram impacto da Inteligência Artificial
DM - Cristiana Barbosa
O Arciprestado de Braga reuniu, ontem, cerca de 180 catequistas, oriundos de 50 paróquias da região, no Auditório VITA, para debater os desafios da Inteligência Artificial na missão de educar as novas gerações.
Subordinada ao tema “Entre Rostos e Algoritmos: O Catequista na Era da IA”, a jornada formativa assinalou o início de mais um ano escolar e catequético, propondo uma profunda reflexão sobre a importância da relação pessoal, da escuta atenta e da presença perante a crescente mediação digital nas relações humanas.
A conferência de abertura esteve a cargo do padre Marcelino Paulo Ferreira, que abordou as «novas linguagens e recursos digitais».
A partir da Carta Encíclica do Papa Leão XIV, “Magnífica Humanidade”, o sacerdote interpelou os presentes com uma questão central. “Que cidade estou a construir?”. O pontífice fala de duas cidades, Babel e Jerusalém, cada uma simboliza um estilo de vida: «dispersão ou comunhão».
Com o contributo dos catequistas, que participaram numa nuvem de ideias, tendo por base a questão “Qual é a tua maior dúvida ou receio sobre o digital e a catequese?”, destacaram-se palavras como «verdade, isolamento, solidão, dispersão e desumanização».
A partir delas, o pároco de Ferreiros, Sequeira e Vilaça sugeriu alguns desafios acentuados pela cultura digital, tais como «atenção fragmentada, solidão hiperconectada, tentação do espetáculo».
Para minimizar estes desafios, apresentou, entre outros, o recurso ao estilo narrativo para captar a atenção, o acolhimento e a proximidade «para vencer a solidão, cuidar que o encontro pessoal com Jesus Cristo seja sempre a meta de modo que a catequese não se transforme num mero “espetáculo” sem substância bíblica e eclesial».
Já na segunda parte da conferência – sobre os recursos digitais –, o dinamizador do Laboratório da fé deu a conhecer alguns exemplos práticos de como utilizar a plataforma Gemini Notebook para melhor desempenhar a missão de catequista.
Mais do que algoritmos, pessoas concretas
«Veio um bom número de catequistas e foi muito bom ver estes rostos», sublinhou Sílvia Silva, coordenadora da equipa da Catequese do Arciprestado de Braga, ao fazer o balanço do encontro.
A responsável considerou que a escolha da temática responde a uma necessidade concreta dos educadores cristãos, assinalando que «é um tema que é importante para nós como catequistas. Estamos numa sociedade, estamos ligados à Inteligência Artificial no nosso dia a dia e temos que viver essa parte como importante para nós também na vida».
Sobre a utilidade das novas tecnologias, Sílvia Silva adiantou que o encontro serviu tanto para saber utilizar as ferramentas digitais como para alertar para os seus limites. «Claro que as ferramentas são importantes, mas também o nosso saber, o nosso estar é importante», afirmou a coordenadora, acrescentando que o ‘feedback’, por parte dos catequistas, foi positivo.
A jornada encerrou com uma reflexão sobre a dimensão comunitária da missão. «A comunidade é onde se faz a comunhão. Tem rostos, como no nosso título. Os rostos são pessoas concretas», sustentou Sílvia Silva, frisando, ainda, que, «nos algoritmos, nós damos os dados. Os rostos não, ficam e estão lá, presentes. Podem alterar-se algoritmos, os rostos não, as pessoas não».
Momentos antes de fechar o encontro, os catequistas foram convidados a mergulhar as mãos num jarro de água, recordando, em pensamento, alguém que marcou decisivamente a sua caminhada de fé.
A alteração do estado da água após o contacto de todos traduziu a transformação gerada pelo encontro interpessoal na vida de cada crente, num momento solene, acompanhado pela presença da Bíblia e de uma vela acesa, a assinalar a fé.
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