Arquidiocese de Braga -

23 setembro 2026

«Ajudar a abrir os olhos do coração»: Braga apresenta Orientações Pastorais para a Catequese

Fotografia Departamento Arquidiocesano da Catequese

Departamento Arquidiocesano da Catequese

Documento para o triénio 2026-2029 define cinco prioridades para a renovação catequética da Arquidiocese. D. José Cordeiro recordou aos catequistas que «a meta é Jesus Cristo».

O Departamento Arquidiocesano da Catequese de Braga apresentou, na noite de 22 de setembro, as Orientações Pastorais para a Catequese – Triénio Pastoral 2026-2029, no âmbito do Conselho Arquidiocesano da Catequese, que reuniu Equipas Arciprestais de Catequese e catequistas formadores. O encontro contou com a presença do Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, e de D. Delfim Gomes, Vigário Episcopal para a Educação Cristã.

Sob o horizonte pastoral «Juntos no Caminho de Páscoa: Levar Jesus a Todos e Todos a Jesus», as novas Orientações pretendem oferecer um caminho comum para a ação catequética da Arquidiocese ao longo dos próximos três anos. O documento insere-se num processo de renovação que procura ultrapassar uma compreensão da catequese reduzida à preparação para os sacramentos ou a um modelo predominantemente escolar, favorecendo uma verdadeira iniciação à vida cristã e o encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo.

As Orientações identificam cinco prioridades pastorais: implementar o Itinerário de Iniciação à Vida Cristã; envolver e acompanhar as famílias; investir na formação dos catequistas; desenvolver a catequese de adultos; e promover uma catequese verdadeiramente inclusiva. Mais do que objetivos a alcançar de forma imediata, estas prioridades são apresentadas numa lógica de progressão pastoral, através de processos de sensibilização, formação, implementação e consolidação ao longo do triénio.

Na sua intervenção, D. José Cordeiro manifestou a sua alegria e uma «renovada esperança» perante o trabalho desenvolvido na catequese, agradecendo aos catequistas o serviço que prestam nos arciprestados, paróquias e comunidades. O Arcebispo colocou no centro da sua reflexão a necessidade de construir comunidade, recordando que a catequese não se reduz à transmissão de conhecimentos ou de doutrina. O cristianismo, afirmou, é antes de tudo uma pessoa, Jesus Cristo, e quem verdadeiramente se encontra com Ele sente a paixão de O comunicar aos outros.

Inspirando-se no relato dos discípulos de Emaús, que atravessa também as Orientações Pastorais, D. José insistiu na compreensão da catequese como itinerário e processo, no qual é necessário respeitar os diferentes ritmos das pessoas e das comunidades. «Estamos num tempo de semear processos. Nós queremos só colher. Já foi o tempo de colher, mas semearam outros. Agora é a nossa vez de semearmos processos. E os processos levam tempo.» Esta paciência pastoral, acrescentou, não pode significar imobilismo. É necessário «dar tempo ao tempo, mas não perder tempo», sabendo qual é a meta e assumindo uma verdadeira corresponsabilidade no caminho.

D. José salientou também a dimensão comunitária da missão catequética: «ninguém é catequista sozinho, porque ninguém é cristão sozinho». Num tempo de transformação da realidade eclesial, desafiou ainda a um discernimento capaz, quando necessário, de «fazer menos e melhor», reforçando a formação, o espírito missionário e o trabalho sinodal.

Ao longo da sua intervenção, o Arcebispo regressou repetidamente à finalidade de todo o caminho catequético: o encontro com Jesus Cristo. «A meta é Jesus Cristo», afirmou, recordando que é esse encontro que transforma e renova a vida. D. José destacou também a importância do ano litúrgico e do domingo, «Páscoa semanal», na construção da comunidade, bem como a necessária articulação entre catequese, liturgia, oração e prática da caridade. «O essencial é Cristo. O essencial é o Evangelho. Mas não esqueçamos que o Evangelho é Cristo e que Cristo é o Evangelho.»

A imagem dos discípulos de Emaús permitiu ainda a D. José sintetizar a missão dos catequistas. Tal como aos discípulos «se lhes abriram os olhos», também o catequista é chamado a ajudar a abrir os olhos do coração das crianças e dos adolescentes, conduzindo-os à descoberta de Cristo nas realidades mais simples da vida, na comunidade, na liturgia, na oração, na caridade e nos próprios encontros de catequese.

O Arcebispo recordou, a este propósito, a sua primeira catequista em Portugal, com quem voltou a estar recentemente e que conta hoje 94 anos, testemunhando como os catequistas podem permanecer como pessoas marcantes na vida daqueles que acompanham. Contudo, advertiu, ninguém pode ajudar os outros a abrir os olhos se não cultivar também interiormente a relação com Deus e não fizer do próprio coração lugar da sua presença. «Por isso confiamos muito em vós», afirmou aos catequistas.

As Orientações atribuem ainda um papel particular às Equipas Arciprestais de Catequese, reconhecendo-as como estruturas de proximidade, articulação e acompanhamento das comunidades. O documento constituirá, assim, uma referência para o trabalho catequético da Arquidiocese ao longo do próximo triénio, num caminho de comunhão e corresponsabilidade que respeite as diferentes etapas e realidades das comunidades e seja progressivamente acompanhado e avaliado.

O documento termina regressando a Emaús, com a pergunta que acompanhará também este caminho da catequese na Arquidiocese de Braga: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho?» (Lc 24,32).