Arquidiocese de Braga -
25 setembro 2026
Padre Paulo Terroso orienta reflexão sobre os secretariados diocesanos
DACS
Jornadas Nacionais debateram organização da comunicação da Igreja e presença no mundo digital
O padre Paulo Terroso, diretor do Departamento Arquidiocesano para a Comunicação Social de Braga, participou, ontem, nas Jornadas Nacionais de Comunicação Social, realizadas no Seminário de Leiria, onde orientou o grupo de trabalho dedicado ao tema “Organizar um secretariado diocesano”.
O encontro reuniu responsáveis pela comunicação das dioceses, jornalistas, profissionais do setor e criadores de conteúdos, sob o tema “Por uma gramática do encontro”.
No grupo orientado pelo responsável da Arquidiocese de Braga, os participantes foram convidados a refletir sobre o lugar dos secretariados de comunicação na vida das dioceses: se devem limitar-se a divulgar informações ou participar também na definição das decisões e estratégias pastorais.
«Um secretariado de comunicação não pode ser apenas um gabinete que publica notícias.
Deve conhecer a vida da diocese, acompanhar as suas prioridades pastorais e ajudar as paróquias e os diferentes organismos a comunicarem melhor e a trabalharem em rede», afirmou o padre Paulo Terroso.
A reflexão abordou ainda as dificuldades sentidas pelas equipas diocesanas, designadamente ao nível dos recursos humanos, do tempo disponível, da formação e da relação com as cúrias e com as paróquias, assim como possíveis formas de colaboração entre as estruturas diocesanas e os organismos nacionais da Igreja.
Os trabalhos da tarde decorreram em seis grupos, dedicados à organização dos secretariados diocesanos, comunicação institucional, produção de conteúdos digitais, informação sobre religião nos órgãos generalistas, meios de comunicação eclesiais e missão digital.
Na abertura, Rita Carvalho, nova diretora daquele organismo, afirmou que o encontro pretendia proporcionar um verdadeiro tempo de trabalho, escuta e construção conjunta, mais do que uma sucessão de conferências.
Autenticidade e qualidade
Debate. A autenticidade foi um temas centrais da conversa entre D. Alexandre Palma, presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, e o jornalista e escritor João Miguel Tavares, no âmbito das Jornadas Nacionais de Comunicação Social.
João Miguel Tavares criticou a expetativa de que os padres devam transmitir permanentemente uma imagem de perfeição, escondendo as suas dificuldades, dúvidas e sofrimentos.
«Eu não estou à espera que o padre seja uma personagem. Quero ver a vida dele. Quero ver as suas dores, as suas angústias e as suas alegrias», afirmou.
D. Alexandre Palma considerou que uma comunicação verdadeira pode assumir diferentes sensibilidades e linguagens, desde que não seja artificial ou meramente destinada a conquistar aprovação.
Esta exigência aplica-se também à presença da Igreja nas redes sociais. Para o bispo, conhecer a lógica das plataformas digitais é necessário, mas não pode conduzir à instrumentalização da fé.
«É preciso conhecer a lógica das redes e saber jogar o jogo», afirmou, acrescentando que instrumentalizar a mensagem significa «trair a autenticidade».
João Miguel Tavares insistiu igualmente na necessidade de investir na qualidade dos textos, das imagens, da música, da arquitetura, das celebrações e dos conteúdos digitais.
A falta de meios ou de formação constitui uma dificuldade real, reconheceu, mas não pode servir para justificar a ausência de exigência. A beleza, defendeu, faz parte da capacidade de comunicação do cristianismo.
No encerramento da conversa, D. Alexandre Palma apelou à recuperação de uma verdadeira cultura de diálogo, capaz de acolher tanto os consensos como as divergências. «Temos todos de nos educar para a arte da conversa. E a arte da conversa não é necessariamente a arte da conversa fofinha», concluiu.
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