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Ano Pastoral 2021+2022

"Onde há amor, nascem gestos"

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+ Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz | 2 Jan 2004
Um Ano na paz e no compromisso
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Iniciar um Novo Ano significa colocar-se, conscientemente, perante o presente e o futuro da humanidade. Este situar-se quer dizer desejo e sonho duma sociedade a viver em paz. Como Igreja teremos de cumprir o mandato de anunciar e ensinar a paz. Não é responsabilidade de poucos mas esperança e contributo de todos. O Papa recorda-nos que ela supõe o respeito pela ordem internacional e pelos compromissos assumidos pelas autoridades. Reconhecer esta responsabilidade pode alhear-nos e importa, recorda sempre o Papa, que nos consciencializemos perante as causas e razões da existência da guerra, terrorismo e violência. Dois factores condicionam o sonho da paz. A injustiça social, geradora de descriminações escandalosas, vive-se em todos os espaços e não nos pode deixar tranquilos. Parece que a miséria e a desigualdade de oportunidades estão longe de nós. Só que coabitam nas nossas cidades e aldeias. Importa consciencializar-se e intervir com a denúncia das causas e a sugestão das propostas. Ao mesmo tempo, “a falta de respeito pela vida humana” presencia-se em atitudes que persistem descaradamente. Para matar outros, muitos se prontificam a colocar fim à vida com gestos terroristas e de atroz violência. O aborto, para além do enigma da clandestinidade, regressa ao âmbito da descriminalização ou despenalização. A eutanásia começa a encontrar adeptos e defensores. A pena de morte, mesmo para homens considerados perigosos para a humanidade, aceita-se com facilidade e despudor. Tudo parece permitido desde que os objectivos dos mais fortes ou interesses pessoais sejam satisfeitos. Trata-se duma cultura de morte que está a suscitar urgência duma consciencialização do valor indelével da vida desde a concepção ao fim natural. Este respeito pelas legalidade, qual ciência e preâmbulo da paz, supõe o amor. Recordava João Paulo II: “Só uma humanidade onde reine a “civilização do amor” poderá gozar duma paz autêntica e duradoura. “No início de um novo ano, quero recordar às mulheres e aos homens de toda a língua, religião e cultura esta máxima antiga: “Omnia vincit amor” (“O amor tudo vence”). Sim, queridos irmãos e irmãs de todas as partes da terra, no fim o amor vencerá! Esforce-se cada um por apressar esta vitória. No fundo, é por ela que anseia o coração de todos”. Depois de recordar este compromisso de educar para a paz, quero deixar quatro pedidos à diocese para este ano que se inicia. Se encontrassem eco no coração de muitos ficaria imensamente contente. 1. No passado dia 20 de Dezembro, em Roma, foi assinado o rescrito da aceitação como milagre, atribuído à intercessão da Venerável Alexandrina, dum caso clínico. Com este acto resta determinar o dia da Beatificação. Duas considerações se impõem como programa diocesano: o dom da Beatificação alegra-nos e responsabiliza-nos. Exultantes de alegria, necessitados de acolher o modelo de vida deixada por uma pessoa que muitos conheceram. Se a santidade é possível, ela torna-se obrigatória. O mundo parece enveredar por outros caminhos que Alexandrina contestou. A Igreja assume-se como vocacionada para a Santidade que a diferencia de comportamentos e estilos considerados modernos. Ao mesmo tempo, exultar de alegria é sinónimo de querer conhecer este modelo na sua originalidade e autenticidade. A superficialidade com que se acolhem os acontecimentos e as vidas não deveria colher neste caso. Precisamos de mergulhar nos verdadeiros conteúdos do testemunho que ela nos legou. Exorto, por isso, a Arquidiocese, ou seja, as paróquias, movimentos, comunidades religiosas, associações a conhecerem e assumirem a futura Beata como estímulo para a vida cristã em coerência e marcada pelo Evangelho. Que 2004 leve o testemunho de Alexandrina a todos os cristãos por intermédio duma reflexão a partir de textos que, oportunamente, elaboraremos. 2. O centenário da coroação da Senhora do Sameiro é paradigmática para as comunidades. Urge que não se esgote em comemorações, mais ou menos solenes, que não penetram no âmago da vida cristã e comunitária. É fácil programar iniciativas para reunir multidões… Gostaria, mais, de tornar 2004 um Ano Mariano como análise do quotidiano de Maria que provoca vontade de viver, hoje, ao seu estilo. Necessitamos de referências. Maria precisa de revolucionar o que está adormecido e de estimular a apetência pelo Evangelho para o situar na tecitura do emaranhado das situações hodiernas. Ser Mariano não consiste em rezar a Maria ocasionalmente nem em visitar, periodicamente, um Santuário Mariano. Trata-se de muito mais e só a vontade de ultrapassar a mediocridade, com a ajuda da graça, nos catapulta para ser como Ela. 3. Com o ano 2004 inicia-se um novo período de 5 anos para o serviço solicitado a alguns sacerdotes para exercerem a tarefa de Arcipreste ou Vice-Arcipreste. No evoluir da história Diocesana trata-se dum acontecimento banal. Creio, porém, que, tendo presente a urgência duma descentralização efectiva de tarefas, deveria tornar-se certeza duma nova esperança para a pastoral unitária que adoptamos como lema e programa. A Igreja não são os padres. O povo de Deus consciencializa-se na fé e experimenta o sentido de pertença eclesial através do entusiasmo e testemunho que oferecem na vivência da sua verdadeira identidade e missão. Sonhamos com arciprestados aglutinadores de vontades e realizadores concordes de iniciativas comuns. Preocupa-nos a disciplina eclesiástica e motiva-nos a vontade dum anúncio persistente e convincente do Evangelho. Dum perfeito funcionamento do arciprestado depende, em boa medida, a vitalidade da Diocese. Não me quero ilibar de responsabilidades; sem o querer reflectido de todos os sacerdotes nunca testemunharemos a novidade perene de Cristo. 4. A dedicação dos sacerdotes aconteceu e acontecerá na tranquilidade perante o futuro. A entrega é gratuita e nada esperam. Temos, porém, direito a uma vida digna em todos os momentos. A velhice ou as situações de doenças são razões para que a Arquidiocese proporcione certeza duma vida permanentemente acompanhada pela gratidão e ternura. Ousamos iniciar a construção duma nova Casa Sacerdotal. Não se trata duma veleidade ou duma iniciativa não pensada. Ninguém ignora a sua verdadeira necessidade. O ano 2004 deveria ser marcado pelo crescimento e conclusão desta estrutura. Aos sacerdotes solicita-se a generosidade característica de quem poderá não necessitar deste espaço mas reconhece a alegria de dar. Muitos já marcaram a sua presença. Ninguém deixará de participar e colaborar de harmonia com as reais possibilidades. Aos leigos, individualmente ou como empresas, consciente das dificuldades actuais, agradeço que esta causa entre no seu coração; as respostas serão espontâneas. Às Confrarias, Irmandades, Congregações Religiosas, Instituições… recordo a alegria que poderão oferecer-me com a generosidade sacrificada. Muitas vezes se pergunta o que se pretende dum Novo Ano. Sou concreto e audaz. 1. Olhando o exemplo da Venerável Alexandrina, a ser Beatificada brevemente, convido a Diocese a preparar-se para participar neste acontecimento consciencializando-se de que a santidade é a razão de ser da Igreja. 2. A caracterização Mariana da nossa religiosidade exige que o centenário da Coroação de Nossa Senhora do Sameiro suscite iniciativas tendentes a uma maior vivência da fé, como Maria, e leve as Confrarias, particularmente as Marianas, a uma vivência dos seus estatutos. 3. O arciprestado, através duns estatutos renovados, deveria apresentar-se como realidade dinamizadora da vida eclesial numa congregação de esforços unanimemente interpretada por sacerdotes e leigos. 4. A Casa Sacerdotal deve ter o seu epílogo como construção para oferecer alegria e gratidão a quantos se entregam ao serviço do Reino. São projectos exagerados? Santa Maria, Mãe de Deus, nos conceda o dom de os acolher como obrigatórios. Que ninguém falte com a sua parte. O resto acontecerá. Sé Catedral, 01.01.04 + Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz
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