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DACS com Agência Ecclesia | 11 Jun 2021
Francisco sublinha que Igreja precisa de assumir a crise dos abusos sexuais
O Papa rejeitou esta quinta-feira a renúncia do cardeal Marx como arcebispo de Munique.
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O Papa Francisco afirmou esta quinta-feira que a Igreja não pode seguir em frente sem assumir a crise dos abusos sexuais e rejeitou a renúncia que o cardeal Reinhard Marx tinha apresentado como arcebispo de Munique.

O Papa assinalou que “toda a Igreja está em crise por causa do problema dos abusos” e rejeitou uma “política da avestruz”, em que se procura ignorar a questão, porque enterrar o passado não leva a nada” e os silêncios, omissões, dar peso excessivo ao prestígio das instituições só leva ao fracasso pessoal e histórico”.

Francisco diz que que nem todos estão dispostos a “aceitar essa realidade”, mas defende que “cada bispo da Igreja deve assumi-lo e perguntar-se: o que devo fazer diante desta catástrofe?”.

Na carta, o Papa Francisco não se pode ficar indiferente diante desse crime” e assumir o problema dos abusos sexuais significa colocar-se em crise”. Francisco concorda com o cardeal Marx “ao chamar de catástrofe a triste história de abuso sexual e a maneira como a Igreja lidou com ela” e declarou que “perceber essa hipocrisia no caminho da fé viva é uma graça”.

O Papa assume os erros cometidos no passado, realçando que a Igreja “tende a esconder os seus pecados”, e rejeita que a solução da crise venha pelo “poder do dinheiro ou opinião dos media”.

Francisco rejeita, nesta carta, a renúncia apresentada pelo cardeal Marx, um dos colaboradores mais directos de Francisco, ao cargo de arcebispo de Munique. O cardeal alemão pretendeu ter um gesto em que assumisse a responsabilidade na “catástrofe” da gestão dos casos de abusos sexuais no país.

“Se te sentires tentado a pensar que, ao confirmar a tua missão e não aceitar a tua renúncia, este bispo de Roma (teu irmão que te ama) não te entende, pensas no que Pedro sentiu diante do Senhor quando, à sua maneira, apresentou a renúncia: ‘afasta-te de mim, que sou um pecador’, e ouve a resposta: ‘apascenta as minhas ovelhas’”, conclui.

O arcebispo de Munique é membro do Conselho de Cardeais, organismo criado por Francisco para a reforma da Cúria Romana, e coordenador do Conselho para a Economia da Santa Sé.

Em 2018, um estudo encomendado pela Conferência Episcopal Alemã identificou “riscos sistemáticos” que facilitaram os abusos e o seu encobrimento. O cardeal Marx considera que os documentos mostram, de forma consistente, que houve “muitas falhas pessoais e erros administrativos”, mas também “falha institucionais ou sistémicas”.

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