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DACS com CE | 18 Jun 2021
Cáritas Europa pede protecção de migrantes e refugiados
Cáritas Europa apela aos decisores políticos para protegerem o direito ao asilo e a dignidade das pessoas deslocadas, assim como para facilitarem a mobilidade humana.
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Na celebração dos 20 anos do Dia Mundial do Refugiado e no 70º aniversário da Convenção dos Refugiados de 1951, a Cáritas Europa apela aos decisores políticos para protegerem o direito ao asilo e a dignidade das pessoas deslocadas, assim como para facilitarem a mobilidade humana.

"Estamos preocupados com o facto de, apesar de mais de 82.4 milhões de pessoas estarem a viver de forma forçada deslocadas das suas casas, o asilo está ameaçado na Europa – o lugar onde estas proteções foram criadas em primeiro lugar, para os sobreviventes da grande guerra da Europa. No entanto, os países europeus estão cada vez mais a bloquear o acesso aos seus territórios, incluindo através de pushbacks ilegais e violência grave contra pessoas que procuram proteção e uma vida melhor na Europa", afirma a instituição em comunicado.

A Cáritas explica que a “Rota dos Balcãs” é um caso de estudo, já que as pessoas que se deslocam viveram experiências de terríveis violações de direitos humanos durante anos enquanto tentavam entrar em segurança na UE.

"O documentário «The Game: Fortaleza da Europa», produzido pela emissora nacional da Eslovénia com o apoio da Cáritas Eslovénia, apresenta-nos histórias chocantes e tocantes de pessoas, incluindo famílias e crianças, que foram violentamente e repetidamente empurradas pela polícia e forças fronteiriças entre a Croácia e a Bósnia e Herzegóvina", adianta.

A instituição afirma que o filme documenta a violência sistemática e a humilhação para prevenir que a fronteira seja ultrapassada – incluindo despir os migrantes, deixando-os nus e abandonados na floresta, agressões e tortura, ataques de cães, destruição e roubo – e que milhares de migrantes em situações desesperantes estão a pernoitar em edifícios abandonados, na floresta ou nas ruas da Bósnia e Herzegóvina.

Os migrantes arriscam a morte também devido a engenhos explosivos, deixados para trás desde o conflito dos anos 90 do qual a Bósnia e Herzegóvina ainda está a recuperar.

“A Cáritas leva a cabo serviços de lavandaria, leva comida, roupa e providencia diferentes serviços e apoios para que as pessoas possam manter a sua dignidade e satisfazer as suas necessidades básicas; no entanto, precisamos de muito mais. Precisamos da solidariedade dos nossos vizinhos europeus acima de tudo para apoiar as pessoas que chegam ao país”, diz Tomo Knežević, Director da Cáritas da Bósnia e Herzegóvina.

A instituição refere, no entanto, que a “Rota dos Balcãs” não é um caso isolado e que todos os dias, pessoas – incluindo crianças e bebés – morrem quando tentam chegar à Europa. Em 2021, já desapareceram mais de 800 pessoas no mar Mediterrâneo, e mais de 10 000 foram interceptadas e devolvidas à Líbia, "onde um terrível sofrimento as aguarda". Apesar da vasta evidência da situação dramática conhecida dos migrantes na Líbia, os países europeus continuam a cooperar com o país para impedir a chegada de pessoas à Europa.

“Como afirma, com verdade, o Papa Francisco: a globalização da indiferença deve parar, e os países europeus devem respeitar os direitos e a dignidade das pessoas que se deslocam. Uma acção concreta deve substituir as meras intenções com vista a cessar os pushbacks e a violência e a respeitar e defender a Convenção de Genebra sobre os Refugiados, bem como os valores sobre os quais a Europa está assente,” afirma Maria Nyman, Secretária-Geral da Cáritas Europa.

A Cáritas refere ainda que a solidariedade global com os refugiados e os países que os acolhem é "profundamente necessária". Os países desenvolvidos apenas acolhem 15% dos refugiados de todo o mundo. A ACNUR identificou 1.4 milhões de refugiados como particularmente vulneráveis e com necessidade de realojamento em 2020.

"A Europa deve acordar e intensificar o realojamento e outras vias de admissão nos anos que se avizinham. Sabendo que a migração pode contribuir positivamente para o desenvolvimento socioeconómico e demográfico da Europa e enriquecer as nossas comunidades, a Cáritas Europa apela a políticas que facilitam a mobilidade humana de uma maneira segura e organizada", conclui a Cáritas Europa, pedindo aos decisores políticos que "repensem a sua iniferença" e protejam as pessoas que se deslocam.

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