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Ano Pastoral 2021+2022

"Onde há amor, nascem gestos"

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Colaborador | 13 Mai 2010
Saudação a Sua Santidade, o Papa Bento XVI
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Santo Padre,

A alegria que envolve os nossos corações, com a presença de Vossa Santidade no nosso país, é fruto de um fiel compromisso no anúncio da Boa Nova, perante os complexos desafios que encaramos e continuaremos a encarar.


Nascemos de um conjunto de pequenos povos, a que os romanos vieram dar coesão, ordenamento territorial, sistematização jurídica, possibilidades de comunicação, prosperidade material e muitas crenças.


Cedo nos encontramos com o cristianismo, tornando-o o cerne da nossa identidade. Multiplicaram-se os templos, cristianizaram-se festas e costumes pagãos, e o sagrado passou a ritmar o tempo e a vida. O teocentrismo medieval não se dissipou por completo ao soprarem os ventos da era moderna. Pelo contrário. Portugal deu, então, novos mundos ao mundo. E nas naus foram os conquistadores, mas também os missionários, que aos continentes de nova descoberta levaram o Evangelho e a Cruz, ainda hoje sólida em fachadas de igrejas, ou em padrões que, significando posse, assinalam uma referência marcadamente religiosa e cristã.

 

Nesta breve panorâmica do nosso roteiro crente, uma palavra de destaque merece Fátima, que o Papa Paulo VI, de venerada memória, considerou “Altar do Mundo“. Aos pés de Nossa Senhora ajoelham-se crentes e inquietos, poderosos e débeis, ricos e pobres, gratos e suplicantes. Fátima espelha, de forma por demais eloquente, a alma devota deste povo que somos.

 

Entretanto, não se presuma, pelo roteiro traçado, que tudo são rosas e frutos doces. Portugal tem conhecido, a par do progresso e modernidade, factores de perturbação. Conhece a indiferença, o ateísmo, o indiferentismo, o racionalismo, o hedonismo, os atropelos à vida e à instituição familiar, o desnorte no plano ético, a miséria social. Vivemos imersos na “modernidade líquida”, onde as referências cristãs começam a liquefazer-se, fruto de uma campanha que nos quer situar no mundo dos retrógrados e ousa propor modelos comuns a outras mentalidades e apresentados como progressistas. Desconsidera-se a história e não se considera uma alma que a sociedade globalizada vai desvirtuando.

 

Neste contexto e ambiente, os bispos das vinte dioceses e do Ordinariato Castrense estão empenhados em “repensar” uma pastoral marcada pelo testemunho de unidade e voltada para os novos desafios que a mudança civilizacional nos proporciona. Pretende-se dar prioridade à fé como encontro com o Ressuscitado. Apenas Ele é capaz de mudar a vida, enamorar os leigos e os sacerdotes e suscitar uma nova consciência missionária. Desejamos caminhar para um novo estilo de vida, marcado pelo compromisso e pela paixão ao nosso país, a necessitar de uma urgente reevangelização, nunca esquecendo a responsabilidade histórica de partir para outros continentes.

 

Queremos ser esperança para todos os portugueses; comprometemo-nos na afirmação da ética e dos valores cristãos; prosseguimos os esforços para um revigoramento de uma fé capaz de dar sentido à vida e geradora de compromissos com as causas nobres, numa aliança entre a racionalidade e abertura ao mistério; testemunhamos a caridade de quem acredita que o amor a todos, sem discriminações de nenhuma espécie, gerará uma sociedade mais fraterna e justa, porque apostado em promover um desenvolvimento integral que, comprometido com todas as realidades humanas, as plenifica com a abertura às exigências do transcendente; não renunciamos ao direito de propor a dignidade familiar como expressão do amor de um homem e de uma mulher, orientada para a geração e educação, e como célula elementar e garantia de um futuro verdadeiramente humano e aberto à transcendência.

 

Testemunhamos gratidão pela presença de Vossa Santidade e ousamos pedir e esperar palavras orientadoras, nesta hora de uma atitude colegial de “repensar a pastoral”, na certeza de que as incarnaremos nos nossos projectos diocesanos, para os quais solicitamos a Vossa Bênção Apostólica.


Que Maria, Nossa Senhora de Fátima e Mãe da Igreja, seja o modelo para as nossas vidas e para as nossas comunidades, de modo a “guardarmos no coração” a Palavra de Deus e nos empenharmos com renovado entusiasmo a testemunhar “as maravilhas que Deus” – e só Ele – faz em nós, mesmo perante as nossas fragilidades e limitações. Que Ela seja alento, consolação e estímulo neste tempo de confronto com realidades que nos entristecem e
corresponsabilizam. Da parte do Episcopado Português aceite, Santidade, a expressão de uma comunhão, efectiva e permanente, que reforçamos neste contexto da vida eclesial.


Fátima, 13 de Maio de 2010
Festa de Nossa Senhor de Fátima
 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz e Presidente da C.E.P.
 

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