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"Onde há amor, nascem gestos"

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11 Out 2021
O Sínodo e o fogo
Artigo de D. Nuno Almeida, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Braga.
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  © Marek Piwnicki

O Sínodo, que o Papa Francisco convocou, é, antes de tudo, para reacender e espalhar o fogo do amor recíproco, que torna possível a presença de Jesus Ressuscitado no meio de nós. O objetivo principal, deste importante acontecimento em temos a alegria de participar, não é o de acrescentar ou multiplicar documentos, estruturas e atividades, mas, antes de tudo, fazer-nos experimentar uma nova maneira de nos relacionamos nos vários âmbitos onde vivemos e trabalhamos.

Nos anos que antecederam o início do Concílio Vaticano II, havia muitas discussões sobre o ser (o que é?) e a missão (para que serve?) da Igreja. O Concílio (1962-65) não gastou tempo nem energias com estas polémicas, mas, ousada e decididamente, convida a olhar, a contemplar Deus Trindade de Amor. A Trindade é apresentada, no Concílio, como a origem (Igreja recebe-se como dom e mistério de comunhão), modelo (Igreja constrói-se, vivendo o amor recíproco ou trinitário) e pátria (Igreja incómoda, inquietante, livre e serva, ocupada e disponível).

Passados quase cinquenta anos, a dinâmica conciliar suscitou muitas estruturas de comunhão, incentivou atividades, mobilizou pessoas…, mas temos a sensação de que por vezes falta algo de essencial. É como ter todos os ingredientes para preparar e oferecer um bom jantar e faltar o fogo. Há muita coisa crua e fria nas nossas comunidades! Falta o fogo que Jesus veio trazer e quer que se acenda na terra, também hoje. O fogo do mandamento que Ele chamou Seu e Novo: amai-vos mutuamente como Eu vos amei!

Ao iniciarmos o Sínodo, através de gestos e palavras, procuremos ser “incendiários” nos ambientes onde nos movemos. Recordemos sempre que o seu objetivo principal é treinar-nos na vida trinitária. Mas o que significa tudo isto concretamente?

Contemplando a Trindade, compreendemos que a primeira grande dimensão da vida comunitária é a gratuidade: a gratuidade do Pai funda cada gratuidade do amor.

Esta é a primeira figura do amor: como o Pai, na Trindade santa, é a nascente do amor, é pura gratuidade, assim é a amizade que vence a solidão do mundo quando se tem a coragem do amor.

Ao iniciarmos a caminhada sinodal, é tempo de amar como o Pai, procurando ser sempre o primeiro a amar. Tomar a iniciativa com generosidade e responsabilidade, descobrindo o que devo dar a Deus, à vida, à sociedade, à igreja, à família, ao outro! Comprometer-me a dar gratuitamente aos outros, sem esperar nada em troca. 

Como encontrar Jesus Cristo? Onde é que Ele está? Quando chega? Quando vires perdão, generosidade, vida nova..., podes estar seguro de que Jesus está por perto. O Filho que vem até nós é o eterno amado. A sua vida é acolhimento, pois no jogo eterno do amor, revelado plenamente na Páscoa, o Filho é aquele que se deixa amar.

Eis, então, a segunda grande figura do amor: a gratidão, o acolhimento, o deixar-se amar. As formas mais altas de solidariedade perdem valor se são unidirecionais, quando são somente beneficência, em que quem está no alto dá e quem está em baixo recebe.

Neste caminho sinodal, descobrindo Jesus em cada irmão, vamos dizer àqueles com quem vivemos: obrigado por estares comigo, obrigado pelo que és e representas para mim! 

Para o pensamento cristão ocidental, sobretudo depois de S. Agostinho, o Espírito Santo é o vínculo do amor entre o amante e o amado; o Espírito é a unidade do amor, é a paz no amor, é estar juntos no amor.

Mas o Espírito é também apresentado, na Sagrada Escritura, como Aquele que em Deus sai de si, em quem Deus se abre: por isso, o Espírito desce sobre Maria para que esta conceba o Verbo; assim o Espírito na Ressurreição, no Pentecostes, nos santos e profetas.

O Espírito é o novo início do amor, é a liberdade no amor. O Espírito realiza aquela maravilhosa frase de Saint-Exupéry, que diz: “Amar não significa olhar-se olhos nos olhos, mas olhar juntos na mesma direção”.

O Espírito liberta-nos da prisão da vontade de posse e torna-nos verdadeiramente amigos de todos, solícitos para com todos e desejosos de ir sempre ao seu encontro. É verdadeira amizade não só quando unifica, mas também quando nos abre aos outros. O Espírito é Aquele que nos dá a alegria da comunhão e nos inquieta para a missão. 

Ao iniciarmos o caminho sinodal, é tempo de acreditar com todas as forças no Espírito Santo, procuremos também dirigir a palavra a alguém que não conhecemos e com quem normalmente não falamos, comprometendo-nos a procurar construir a unidade à nossa volta. 

 

+Nuno Almeida,
Bispo Auxiliar

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