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DACS | 21 Jan 2022
Bispos europeus pedem diálogo para resolver tensão com Rússia
A acumulação de uma centena de milhar de soldados russos perto das fronteiras com a Ucrânia tem aumentado a tensão entre Estados Unidos, Europa e Rússia, e colocado mais pressão numa resolução diplomática.
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  © Tyler Hicks/The New York Times

Os bispos europeus pediram o uso exclusivo do diálogo para resolver a tensão política e militar em torno da Ucrânia. A Rússia tem acumulado 100 mil soldados e equipamento militar nas fronteiras ucranianas desde o final de 2021.

O Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) emitiu um comunicado em que pede aos responsáveis de todas as partes soluções aceitáveis e duradouras para a Ucrânia, baseando-se no diálogo e nas negociações e sem recorrer às armas”.

O CCEE pediu ainda aos cristãos rezarem pelo dom da paz na Ucrânia”, para que os responsáveis sejam ‘contagiados pelo bem da paz’ e para que a crise seja superada exclusivamente através do diálogo”.

Os bispos do continente europeu dirigem um apelo aos governantes das nações “para que não esqueçam a tragédia da guerra mundial do século passado, defendam o direito internacional, a independência e a soberania territorial de cada um dos países”.

A presidência do Conselho de Conferências Episcopais exprimiu ainda a proximidade à Igreja que está na Ucrânia e a todo o povo”, convidou a comunidade internacional a ajudar o país diante do perigo de uma ofensiva militar russa” e ecoou os apelos do Papa Francisco, que exortou as “potências” do mundo a resolver a crise “através de um sério diálogo internacional e não com as armas”.

A Rússia tem estacionados cerca de 100 mil soldados nas fronteiras do país com a Ucrânia, continuando a enviar para a região armamento e sistemas de anti-aéreos. O governo de Vladimir Putin divulgou uma lista de exigências que é improvável que os países ocidentais venham a cumprir, e Joe Biden, o Presidente dos Estados Unidos da América, afirmou abertamente esta quarta-feira que espera que Putin ordene que tropas atravessem a fronteira estabelecida.

Putin tem defendido a acumulação de tropas com o argumento de que é um mero exercício militar. Entre as exigências russas está a da NATO nunca admitir a adesão da Ucrânia e um recuo das forças da NATO no leste europeu – para posições que ocuparam pela última vez no fim da década de 1990. Biden aprovou esta semana uma ajuda suplementar de cerca de 175 milhões de euros para Kiev, e autorizou a Estónia, Letónia e Lituânia a entregar às forças ucranianas misseís anti-aéreos, complementando o que o Reino Unido tem entregue desde o início do mês.

A Ucrânia passou por duas revoluções no século XXI, em 2005 e 2014, rejeitando ambas as vezes a influência da Rússia e aproximando-se da União Europeia e da NATO, movimentando-se no sentido da adesão a ambas as alianças.

Depois da revolução de 2014 (Revolução da Dignidade), em que meses de protestos acabaram por derrubar o presidente pró-Moscovo Viktor Yanukovych, Putin utilizou o vazio no poder a seu favor e anexou a região da Crimeia, para além de começar a apoiar rebeldes separatistas nas províncias de Donetsk e Luhansk através de milícias paramilitares.

Os rebeldes conseguiram estabelecer duas pequenas “repúblicas populares”, onde a pena de morte foi reestabelecida e dezenas de campos de concentração foram criados para torturar e executar dissidentes. O conflito vitimou, desde 2014, mais de 13 mil pessoas e obrigou à deslocação de milhões.

Esta sexta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, estiveram reunidos em Genebra para procurar aliviar a tensão política e militar. Blinken descreveu a reunião como “franca e útil” e ficou em aberto a realização de uma nova cimeira entre os presidentes dos EUA e da Rússia.

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