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DACS | 26 Jan 2022
Papa apela a que nunca mais haja guerra
No dia de oração pela paz na Ucrânia, Francisco defendeu mais uma vez o diálogo para evitar a guerra no leste da Europa.
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  © Tyler Hicks/The New York Times

“Por favor, mais guerra não.” Foi assim que o Papa Francisco terminou a audiência semanal desta quarta-feira, no dia de oração pela paz na Ucrânia que o próprio convocou depois do aumento das tensões políticas e militares entre a Rússia e os países do Ocidente.

Depois de relembrar a comemoração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto – esta quinta-feira, 27 de Janeiro –, no qual morreram cerca de seis milhões de pessoas, o Papa pediu que “as orações e súplicas, que hoje se elevam ao Céu, toquem as mentes e os corações dos responsáveis na terra, para que façam prevalecer o diálogo, e o bem de todos seja colocado acima dos interesses particulares.

O líder da Igreja Católica mostrou no passado domingo preocupação pelo aumento das tensões políticas e militares em torno da fronteira da Ucrânia com a Rússia, no leste da Europa, e convocou para esta quarta-feira uma jornada de oração pela paz.

Para Francisco, que lembrou ainda o último conflito global, o povo ucraniano é um povo “sofredor”, que sofreu fome e “tanta crueldade”, e merece paz. Durante a Segunda Guerra Mundial morreram cerca de 6.850.000 ucranianos. Entre eles, 3 milhões e 700 mil pessoas morreram em ataques militares e crimes contra a humanidade, e 1,5 milhões faleceram à fome ou com doenças.

A Conferência Episcopal Portuguesa lançou esta segunda um apelo a que todas as dioceses e organismos eclesiais em Portugal se juntem à jornada de oração.

 

A administração norte-americana colocou esta segunda-feira 8.500 soldados em alerta elevado para uma possível deslocação para a Europa de Leste. A maioria dos soldados farão parte de uma força de resposta da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que pode ser activada em breve.

De acordo com o The New York Times, os Estados Unidos da América (EUA) estão a considerar ainda o envio de milhares de soldados para o leste europeu e para os países bálticos, assim como navios e aeronaves militares. A administração de Joe Biden está também à procura de soluções alternativas de fornecimento de gás natural à Europa para acautelar a ameaça de um corte no fornecimento pela Rússia.

A NATO tem colocado, nos últimos dias, forças armadas em estado de prontidão e enviado mais navios e aeronaves militares para o Leste europeu. O Reino Unido e os EUA ordenaram a retirada da Ucrânia das famílias dos respectivos corpos diplomáticos, citando “a crescente ameaça da Rússia”.

A Rússia tem estacionados cerca de 100 mil soldados nas fronteiras do país com a Ucrânia, continuando a enviar para a região armamento e sistemas de anti-aéreos. O governo de Vladimir Putin divulgou uma lista de exigências que é improvável que os países ocidentais venham a cumprir, e Joe Biden, o Presidente dos Estados Unidos da América, afirmou abertamente esta quarta-feira que espera que Putin ordene que tropas atravessem a fronteira estabelecida.

Putin tem defendido a acumulação de tropas com o argumento de que é um mero exercício militar. Entre as exigências russas está a da NATO nunca admitir a adesão da Ucrânia e um recuo das forças da NATO no leste europeu – para posições que ocuparam pela última vez no fim da década de 1990. Biden aprovou esta semana uma ajuda suplementar de cerca de 175 milhões de euros para Kiev, e autorizou a Estónia, Letónia e Lituânia a entregar às forças ucranianas misseís anti-aéreos, complementando o que o Reino Unido tem entregue desde o início do mês.

A Ucrânia passou por duas revoluções no século XXI, em 2005 e 2014, rejeitando ambas as vezes a influência da Rússia e aproximando-se da União Europeia e da NATO, movimentando-se no sentido da adesão a ambas as alianças.

Depois da revolução de 2014 (Revolução da Dignidade), em que meses de protestos acabaram por derrubar o presidente pró-Moscovo Viktor Yanukovych, Putin utilizou o vazio no poder a seu favor e anexou a região da Crimeia, para além de começar a apoiar rebeldes separatistas nas províncias de Donetsk e Luhansk através de milícias paramilitares.

Os rebeldes conseguiram estabelecer duas pequenas “repúblicas populares”, onde a pena de morte foi reestabelecida e dezenas de campos de concentração foram criados para torturar e executar dissidentes. O conflito vitimou, desde 2014, mais de 13 mil pessoas e obrigou à deslocação de milhões.

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Palavras-Chave:
Ucrânia  •  paz  •  oração  •  Papa Francisco
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