Arquidiocese de Braga -

8 setembro 2025

“Os sapatos de Deus” é a nova obra do padre José Miguel Cardoso

A igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães, acolheu a apresentação do livro “Os sapatos de Deus”
Fotografia DR

DM

Com prefácio do Cardeal José Tolentino de Mendonça e publicada pela Editora Paulus

Foi num clima de alegria que decorreu, na noite da passada sexta-feira (5 setembro), a apresentação do livro “Os sapatos de Deus” do Padre José Miguel Cardoso, presbítero da Arquidiocese de Braga que atualmente exerce o seu ministério no Dicastério para a Cultura e Educação da Cúria Romana (Vaticano).

Após o ano transato publicar a obra “Anatomia da Fé”, sendo uma espécie de “introdução ao cristianismo”, a nova obra do Pe. José Miguel Cardoso, por sua vez, explora agora dez temas centrais do mesmo cristianismo, a saber: ressurreição, fé, caridade, esperança, família, Igreja, ecologia, silêncio, humor e Maria (mulher). O fio condutor deste puzzle teológico é um elemento transversal ao quotidiano de todos nós: os sapatos. Como refere logo nas primeiras linhas, «a presença ou ausência de sapatos revela muito da humanidade». Tecendo a teologia com a gramática dos sapatos, a obra pretende, assim, tocar as questões centrais não só do cristianismo, como também da própria humanidade. E com isto evidenciar a força cultural do próprio cristianismo, como expressa a pintura dos sapatos trinitários de Vincent van Gogh que dá textura à capa do livro.

Com a igreja de Nossa Senhora da Oliveira composta por inúmeros familiares e amigos, a sessão de apresentação foi moderada pela Irmã Isabel dos Santos, da congregação da Aliança de Santa Maria (comunidade de Fermentões).

A primeira intervenção coube ao Pe. Doutor João Paulo Costa, investigador na Faculdade de Letras – Universidade de Coimbra (CECH-FLUC) e membro do International Network in Philosophy of Religion, que fez a apresentação da obra à luz do verbo “caminhar”, salientando a pertinência cultural da mesma, o rigor metodológico e bibliográfico, e a coragem de circundar a fronteira 
da teologia com outras áreas.

Entre as várias intervenções, escutaram-se alguns trechos musicais pelo grupo coral juvenil da Paróquia de Nossa Senhora da Oliveira, ocorrendo ainda uma pequena coreografia protagonizada pelos familiares mais novos do Pe. José Miguel, com os dez pares de sapatos elencados na obra.

O Pe. José Miguel, por sua vez, agradeceu a presença fraterna de todos, partilhou alguns detalhes e peripécias da obra, e explicou a razão principal da mesma, enquanto contributo para o reposicionamento do pensamento católico na sociedade atual.

No encerramento, D. José Cordeiro, Arcebispo Metropolita de Braga, felicitou o o autor pela obra e salientou a importância da produção literária católica para a formação progressiva dos cristãos, bem como o testemunho de eclesialidade que este evento proporcionou.

A obra, publicada pela Editora Paulus e com prefácio do Cardeal José Tolentino de Mendonça, já se encontra disponível nas livrarias do país, estando também disponível nas plataformas digitais. O livro foi também publicado no passado mês de agosto em Roma, em língua italiana, com o título: “Le scarpe di Dio”.

Sinopse

Perante os desafios da cultura pós-moderna em que vivemos, o cristianismo é desafiado a repensar a sua tática evangélica, passando de um teor apologético para um teor mais explicativo (Mt 11,25), a fim de saber narrar aos outros a razão da nossa esperança (1Pe 3,15). Se é certo que o cristianismo se resume a um único nome, Jesus Cristo (Fil 2,9), este nome precisa de ser explicado por outras palavras cruciais, as quais o tornam mais compreensível aos ouvidos do contemporâneo.

Neste sentido, o livro propõe reler 10 palavras centrais (decálogo) do vocabulário cristão: ressurreição, fé, caridade, esperança, família, Igreja, ecologia, silêncio, humor e Maria. Estas palavras permitem-nos, assim, recentrar e evidenciar uma outra identidade do cristianismo, não como se fosse um castelo, mas como um caminho... pois o Verbo (Palavra) encarnado (Jo 1,14), afinal, é também «o caminho» (Jo 14,6). Por esta razão, o fio condutor deste decálogo foca-se na metáfora dos sapatos, um elemento necessário a ter em conta nesse mesmo caminho (Mc 6,9).

Na verdade, desde os primórdios da humanidade até aos nossos dias, o calçado deixou de ser um mero acessório para se tornar num objeto com um forte potencial epistemológico e simbólico. Ele está associado a uma caraterística inegável do humano: a mobilidade. O calçado é o principal ponto de contacto do nosso corpo com o espaço, sendo uma espécie de “extensão corpó-
rea”.

Mas além desta sua função prática, o calçado revela ainda muito sobre cada um de nós, quer seja o nosso estilo, o nosso estado emocional, o nosso estatuto social, a nossa personalidade… e até a nossa relação com Deus: eis o centro nevrálgico desta obra. De facto, se a humanidade se deve orgulhar do facto de “um homem ter pisado a lua”, talvez deva também maravilhar-se por conhecer “um Deus que pisou a terra” (Gl 4,4).

Link do livro em língua portuguesa:
https://www.paulus.pt/products/os-sapatos-de-deus-para-um-decalogo-do-cristianismo

Link do livro em língua italiana:
https://www.edizionisanpaolo.it/religione_1/spiritualita_1/spiritualita/libro/le-scarpe-di-dio.aspx