Arquidiocese de Braga -
25 setembro 2025
‘Comunicar sem corantes nem conservantes’ - Jornadas Nacionais de Comunicação desafiam a um anúncio corajoso da verdade
DACS
“É preciso ter mais formação em comunicação. Para as homilias, na maneira como aparecemos, comunicamos, como estamos”, afirmou o padre Paulo Duarte, Adjunto do Diretor da Rede Mundial do Oração do Papa, na primeira ronda de temáticas das Jornadas Nacionais de Comunicação Social 2025 que decorrem hoje e amanhã em Coimbra.
O encontro foi aberto com mensagem em vídeo de D. Nuno Brás, presidente da Comissão Episcopal responsável pelas Comunicações Sociais, que afirmou que a comunicação “permite-nos partilhar o que vai dentro da nossa vida” e fez votos de que “essas jornadas façam frutos na vida de cada um e na vida de cada diocese.”
Isabel Figueiredo, diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS), da Conferência Episcopal Portuguesa, também por mensagem, destacou o tema e instigou à procura da verdade, no falar, no anunciar e que a comunicação exige que o trabalho seja nessa busca.
D. Joaquim Dionísio, vogal da Comissão Episcopal responsável pelo setor dos media, na saudação inicial, lembrou que “evangelizar é mostrar Jesus Cristo” e que todos somos “membros de uma Igreja que precisa dizer-se , mas também de levar esse Jesus a todos”.
O diretor da Agência ECCLESIA, Paulo Rocha, ressaltou que “diante da opinião pública nós somos todos um, temos todos a mesma identidade, não somos a Diocese A nem a Diocese B, não vale a pena estar a dispersar esforços”.
Com o mote ‘Ser, parecer ou aparecer: fronteiras na comunicação’, a reflexão no colóquio que se seguiu reuniu então o padre Paulo Duarte com Clara Almeida Santos, professora no Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com a moderação de Nelson Mateus, jornalista da SIC.
Clara Almeida questionou aos presentes: “Se está todo mundo a gritar como nos fazemos ouvir uns aos outros?”, destacando que um meio é “sussurrarmos” aquilo que é importante.
A docente destacou que as pessoas querem as coisas cada vez mais rápidas e ao mesmo tempo estão sob uma super abundância de conteúdos. “A cada minuto do nosso dia são carregadas 500 horas de vídeo na internet”.
Padre Paulo destacou a autenticidade como ponto de conexão com quem ouve e também com forma de ser atual na Igreja. “O papa Francisco quebrava o protocolo mas havia muita autenticidade. O mesmo está a acontecer com o Papa Leão”, disse o jesuíta ao lembrar a emoção do Papa na varanda no dia em que foi eleito.
Com mais de 33 mil seguidores no Instagram, padre Paulo falou na perspetiva pessoal e de quanto as redes afetam-nos diretamente e da falta de interioridade.
Ao ser perguntado sobre o que é ser missionário digital, o sacerdote lembrou que quem está em missão anuncia e citou o Sínodo que inclui no texto a questão digital. Recordou também o Jubileu dos “influencers”, na perspetiva de que há a propensão de hoje em dia as pessoas “engajarem” mais rapidamente com pessoas do que com as instituições.
A seguir realizou-se a mesa-redonda com o tema ‘Ser, parecer ou aparecer: fronteiras na comunicação’ com o padre Manuel Vieira, do Departamento de Comunicação Social da Arquidiocese de Évora; Rita Carvalho, do Gabinete de Comunicação da Companhia de Jesus; Paulo Aido, do Departamento de Comunicação da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre; e Francisco de Mendia, da Agência de Comunicação H/Advisors CV&A e uma participação à distância através de uma intervenção do padre e DJ Guilherme Peixoto.
Amanhã o encontro encerra com o Workshop “Storytelling digital: como criar conteúdos com impacto e relação”, ministrado por Nelson Pimenta, diretor digital do Grupo Renascença.
Partilhar