Arquidiocese de Braga -

14 janeiro 2026

S. Vicente em ano de centenário quer «deixar marca» nos romeiros

Fotografia DM

DM - Rita Cunha

Janeiro é o mês dedicado à tradicional romaria em honra do mártir S. Vicente e, este ano, apesar de manter o seu programa habitual, reveste-se de particular significado, já que decorre no ano em que se comemora o centenário da fundação da paróquia. «Deixar marca» nos romeiros é, por isso, o grande objetivo traçado pela Irmandade de  S. Vicente e paróquia, que este ano esperam uma mobilização ainda maior, chamando pessoas não só da freguesia como de todo o concelho e arredores.

«Este programa é uma oportunidade de consolidarmos a marca que deixamos na cidade», salientou o pároco da paróquia de São Vicente, salientando que, «por vezes, a inovação, o querer mudar todos os anos, pode ser contraditório de uma tradição que se vai enraizando para gerar cultura». «Portanto, não queremos apenas que seja um conjunto de eventos, mas acima de tudo uma estratégia de dinamização espiritual, pastoral, cultural, religiosa, e que em todas essas dimensões nós possamos ser, de facto, como comunidade cristal, uma marca», salientou o padre Rui Sousa, ontem, na apresentação da festa e fazendo já uma antevisão do que será todo o ano, centrado nas comemorações do centenário que já tiveram início no ano transato.

«Queremos que haja marcas que ficam na vida desta comunidade e as festividades de S. Vicente são também, por isso, uma marca. Deixarmos, no fundo, a nossa marca com a valorização daquilo que é feito no contexto das festividades de São Vicente, sobretudo para que essa valorização aconteça pela qualidade e não pela multiplicação de eventos», salientou, exemplificando com a presença do Arcebispo de Braga que irá presidir à eucaristia em honra de S. Vicente, no dia 22, e o facto de a procissão deste ano, agendada para o dia 25, contar com um conjunto de quadros bíblicos a cargo dos grupos da paróquia. «Isto significa que há uma mobilização ainda maior para não haver tanta dispersão. Cada um vai com o figurado que quer ou na multiplicidade das escolhas, mas, acima de tudo, há uma dinâmica organizativa para sermos mais comunidade e que essa expressão de fé, que é a procissão, significa que seja assim valorizada», sustentou o padre Rui Sousa.

O presidente da Irmandade, José Diogo, lembrou a importância desta tradição e pediu que a mesma seja «vivida com sentimento». «Queremos que as pessoas venham mas que tenham sentimento e não que venham por vir», disse.

Programa começa este fim de semana

O programa da romaria arranca este fim de semana, dias 17 e 18, com a bênção das crianças nas celebrações da eucaristia e a admissão de novos Irmãos. 

No dia 21, às 15h30, tem lugar o tributo das crianças do Patronato de Nossa Senhora da Luz ao mártir. Um momento que José Diogo destacou pelo simbolismo que carrega: «as crianças vão trazer velas decoradas por si e este e é um momento de muito significado porque é espontâneo». À noite (21h30) há oração e bênção da fogueira de S. Vicente, «um ponto mais festivo de convívio», sendo que, no final, «centenas de pessoas se juntam no adro» para um concerto do carrilhão de 21 sinos da igreja de S. Vicente, o segundo maior do concelho,  ultrapassado apenas pela Sé Catedral.  «Serão  entoados diversos cânticos a S. Vicente, à Senhora da Luz e a Jesus, lembrando que esta é uma festa mas de carácter religioso», referiu o responsável pela Irmandade.                       

O dia seguinte, de S. Vicente, contempla a romagem ao santo. Ao longo de todo o dia, muitas famílias deslocam-se à igreja de S. Vicente para pedirem proteção para as as crianças e agradecer. Às 19h00, é celebrada a eucaristia e sermão em honra do Mártir de S. Vicente, este ano presidida pelo Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro.

No dia 25, tem lugar a mostra e venda de moletinhos e licor de S. Vicente ao longo de toda a manhã. Se as condições meteorológicas permitirem, terá lugar no adro da igreja. Em caso de chuva, passará para o salão. Ao meio-dia, tem início a eucaristia estatutária da Irmandade de S. Vicente e, às 15h30, sai a procissão, seguida de oração e bênção. No final, atuam no adro da igreja os romeirinhos acompanhados pela Rusga de S. Vicente. Trata-se, segundo José Diogo, de «um momento de tradição, emocionante, que já não se vê em muitos lugares».