Arquidiocese de Braga -
9 março 2026
Igreja de Braga celebrou o perdão em cerimónia comunitária na Catedral
DM - Francisco de Assis
Cerimónia foi presidida pelo Arcebispo de Braga
A igreja arquidiocesana de braga celebrou, sexta-feira, de forma individual e coletiva, o sacramento do perdão. A “Igreja Mãe”, a Sé Catedral foi preparada para acolher, em ambiente aconchegante, todos os seus filhos pródigos que quiseram reconciliar-se com o Pai e assim viver condignamente a Quaresma e preparar a Páscoa.
A celebração penitencial comunitária foi presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro; e contou com a participação direta de cónegos e de vários outros sacerdotes do Arciprestado de Braga e do envolvimento de organismos da Arquidiocese que ajudaram a preparar a festa do perdão.
Ao dirigir-se aos presentes, o Arcebispo de Braga recordou que a celebração da Penitência e da Reconciliação realizou-se e interpretou-se de muitos modos ao longo da história da Igreja. Um sacramento que tem um percurso original e talvez o mais complicado de todos os sacramentos. «Desde logo, percebe-se a sua complexidade, a partir da terminologia utilizada. O magistério e a teologia usam o termo penitência; o comum dos fiéis diz apenas confissão; os liturgistas preferem chamar-lhe sacramento da reconciliação; a catequese atual emprega a expressão sacramento do perdão», disse, alertando que não é apenas um problema de terminologia. D. José explicou ainda que nas origens cristãs, a palavra latina “paenitentia” traduz o termo grego “metanoia”, que significa mudança de mentalidade, passagem, mudança de espírito, reflexão, arrependimento, qual conversão do coração. «Para os cristãos dos primeiros tempos a penitência estava intimamente ligada ao Batismo. Eles estavam convencidos que a remissão dos pecados se conseguia com o Batismo. Por isso, chamavam à Penitência pós-batismal, “segundo Batismo” ou «uma segunda tábua de salvação depois do Batismo».
Na Igreja primitiva penitência ou perdão tinha dimensão comunitária
Na sua reflexão, o Arcebispo de Braga recordou aos fiéis presentes que a Igreja primitiva procurou que a penitência fosse uma forma de celebrar o encontro do irmão pecador com o mistério pascal de Cristo através da intervenção da comunidade.
Porém, progressivamente, a estrutura da penitência-reconciliação foi ofuscada pela rígida fidelidade às normas. «Ao longo do tempo passou-se da celebração comunitária à confissão individual. Tal passagem do alargamento comunitário a um afunilamento individual comportou uma perda de significado em relação ao seu dinamismo sacramental e eclesial. Há que continuar a percorrer com lucidez e coragem o caminho que conduz ao reencontro da unidade do coração».
D. José Cordeiro frisou ainda que o ministério da reconciliação acontece no único e mesmo mistério, Cristo. «Ele deixou-nos em duas parábolas (o Pai misericordioso e os dois filhos – Lc 15,11-32; a ovelha perdida ou o Pastor à procura – Lc 15,1-7) o sentido mais profundo da misericórdia do Pai. Este é o fio condutor da pastoral do sacramento da Penitência. A celebração da reconciliação sacramental tem de manifestar cada vez mais a conversão do coração», referiu D. José.
Assim, em sentido figurado, como escreveu o padre José Miguel Cardoso, no livro “Os Sapatos de Deus”, no final houve ação de graças pelo perdão e, à semelhança do Filho Pródigo, todos voltaram a calçar as sandálias de filhos, que se reconciliaram com os irmãos e com Deus.
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