Arquidiocese de Braga -

4 abril 2026

Cristo Ressuscitou, Aleluia! É a hora de acordar do sono! (Rm 13, 11)

Fotografia DR

Equipa Diocesana da LOC/MTC de Braga

Mensagem de Páscoa da LOC/MTC, Arquidiocese de Braga

As campainhas da Páscoa ainda tocam e multiplicam-se, nos templos e nas casas que abrem a porta aos compassos da visita pascal, para acolher a mensagem central da nossa fé: "Paz a esta casa e a todos os que nela habitam!". Este anúncio não é um mero costume; é um grito de vida que ecoa através dos séculos, desafiando a escuridão que teima em envolver a humanidade.

É tempo de acordar do sono e abrir depressa as portas. Não apenas as portas físicas das nossas casas, mas também as portas, muitas vezes fechadas, das nossas fábricas, oficinas e escritórios. É preciso deixar Cristo entrar — o grande animador da Boa Nova. Ele não vem para ser um convidado passivo, mas para animar a inteligência humana a fazer deste mundo novos espaços onde seja bom viver; onde todos repartem e convivem na alegria que brota, paradoxalmente, das dores dos pregos perfurados nas mãos e nos pés do nosso Libertador.

As campainhas da Páscoa estão à porta e elas fazem-nos lembrar que há uma urgência inadiável na mudança. Elas tocam para nos despertar do pesadelo da guerra, essa mancha de sangue que continua a desfigurar a face da criação. Não podemos aceitar como normal que, em pleno século XXI, a tecnologia seja usada para destruir e o ódio para dividir. Há urgência em acabar com as guerras, em despertar para um "ver apurado" que não se desvia do sofrimento do próximo. Precisamos deixar que as pequenas sementes de esperança contagiem e desarmem a maldade dos que, por ganância ou poder, se tornam "assassinos do Povo de Deus".

Somos trabalhadores e reformados. Vivemos do suor do nosso rosto ou do descanso merecido após uma vida de entrega. Temos direito ao trabalho digno e justo, pois o trabalho não é um castigo, mas uma participação na obra criadora de Deus. No entanto, a nossa dignidade social é inseparável da nossa vocação espiritual. Ser cristão na Páscoa é compreender que o pão que pedimos no "Pai Nosso" é o mesmo pão que falta na mesa de milhões de vítimas da fome. A fome é a negação da Ressurreição; a guerra é a nova crucificação de Cristo nos inocentes. Por isso, esta Páscoa convoca-nos a ser Luz. Mas não uma luz estática, de vitral, que apenas se admira. Somos chamados a ser uma luz que incomoda as trevas da injustiça. Ser Luz da Páscoa nas fábricas é lutar por salários justos; ser Luz nos escritórios é promover a ética sobre o lucro desmedido; ser Luz na reforma é partilhar a sabedoria com os mais novos e não desistir de sonhar com um mundo melhor.

A Luz da Páscoa deve acordar-nos para o facto de que somos todos responsáveis uns pelos outros. Quando uma bomba cai longe, a sua onda de choque deve atingir a nossa consciência aqui. Quando uma criança chora de fome, é o Cristo Ressuscitado que nos estende a mão pedindo justiça. O nosso compromisso social é a prova real da nossa fé espiritual. Se Cristo ressuscitou, então a morte e a miséria não têm a última palavra. A última palavra é a Vida, mas essa Vida precisa das nossas mãos para se manifestar.

Que as campainhas deste ano não sejam apenas um som passageiro, mas um despertador para a alma. Que saibamos transformar a nossa indignação em ação e a nossa oração em serviço. Que cada um de nós, no seu posto de trabalho ou na sua vivência familiar, seja um foco de ressurreição, combatendo a indiferença com a proximidade e o ódio com o perdão ativo. 

Cristo Ressuscitou! Que ressuscite também em nós a coragem de sermos construtores da Paz e da Justiça.

Uma Santa e Renovadora Páscoa, para todos!

Braga, abril de 2026

A Equipa Executiva Diocesana

Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos