Arquidiocese de Braga -
20 julho 2026
D. José Cordeiro desafia novos sacerdotes a colocarem Cristo no centro da vida
DM - Jorge Oliveira
A Arquidiocese de Braga acolheu, ontem, com alegria, gratidão e renovada esperança, três novos sacerdotes, ordenados na Sé Primaz, numa celebração presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro.
Bruno Pinto, Carlos Furtado e Diogo Antunes, que fizeram a sua formação no Seminário Conciliar de Braga e terminaram recentemente o estágio pastoral em paróquias de Fafe, Vila do Conde e Vila Nova de Famalicão, assumiram o compromisso de dedicar a vida ao anúncio do Evangelho e ao serviço da Igreja.
Na homilia da Eucaristia, intitulada «Saber viver em Cristo», D. José Cordeiro falou da missão desafiante e fascinante do presbítero, desafiando os novos sacerdotes a colocarem sempre Cristo no centro das suas vidas.
«Jesus Cristo não pode ocupar apenas um lugar importante ou decisivo na nossa vida, mas o total centramento. Ele é o centro vital, o mistério palpitante; caso contrário, será apenas mais um no coração do nosso ministério», referiu, alertando os novos padres para as dificuldades pastorais que vão encontrar ao longo do seu ministério.
Segundo D. José Cordeiro, os presbíteros ontem ordenados terão «angústias e cansaços» e poderão cair no risco do «ativismo», do «funcionalismo» e de uma «planificação mais empresarial do que pastoral», fruto da cultura contemporânea que «tende a desfigurar o presbítero da sua essencial dimensão mistérico-sacramental».
«Dizei “não” ao individualismo na vida e na ação pastoral. Dizei “não” à intriga eclesiática, a tudo o que nos afasta de Jesus, aos jogos de poder, às vezes mascarados de comunhão. Não nos isolemos, porque perdemos o sentido do presbitério e o sentido eclesial», recomendou.
D. José Cordeiro alertou ainda para o perigo de viver o sacerdócio em função de expetativas, quer criadas pelos próprios padres, quer pelas comunidades.
«Isso é caminho fácil para a desilusão, uma vez que a realidade nem sempre confirma essas mesmas expetativas», advertiu.
Sublinhando que a vida de um padre «é marcada pelas capacidades e pelas fragilidades, pelas alegrias e pelas tristezas», o Arcebispo considerou que, para um sacerdote se tornar «pastor segundo o Coração de Jesus Cristo», será necessária uma vida inteira.
Durante a homilia, o prelado incentivou os novos padres a testemunharem o Reino de Deus nos meios onde vão ser inseridos, pois só assim poderão alargar «os horizontes da missão de levar Jesus a todos e todos a Jesus».
«Nós somos convidados a ser fecundos, a ser pão. Não será o Evangelho a mudar, mas o nosso modo de o compreender e de o viver com sabedoria e paciência», enfatizou.
No início da homilia, D. José convidou os novos sacerdotes a recordarem sempre o momento em que sentiram o chamamento vocacional, considerando que essa memória irá ajudá-los a permanecer centrados no essencial da missão presbiteral.
Lembrou que ser sacerdote é um «dom da graça de Deus» que vai para além dos méritos e capacidades individuais, e reforçou que esta dádiva é para ser vivida na «entrega total no serviço à Igreja e aos irmãos».
«É um bem que não pode ser guardado para nós e que não pode ser vivido isoladamente, mas sim na relação com as pessoas às quais somos enviados, e com o Bispo e os Presbíteros na fraternidade sacramental do Presbitério», explicou.
Recomendou ainda aos novos padres que sejam capazes de responder aos desafios do «tempo complexo» em que vivemos, começando por «ter uma vida espiritual cuidada, com momentos diários de oração e não descurando os encontros frequentes com o diretor espiritual».
Aludiu ainda à importância de acautelar o descanso pessoal, com uma «vida organizada e regrada», que garanta espaços e momentos para esse descanso.
Incentivou também os sacerdotes a serem discípulos missionários, recordando que o ministério sacerdotal não é uma «função, uma tarefa, uma promoção social ou religiosa», mas um «serviço a tempo inteiro» revestido de «sacramentalidade», que deve ser cumprido «em espírito sinodal e missionário».
Nesse sentido, defendeu a necessidade de o presbítero «acolher» o próximo, mas também sair em busca dos que andam desviados da Igreja.
«Ser presbítero no séc. XXI continua a ser belo, ainda que desafiante», enfatizou, desafiando os novos sacerdotes a colocarem Cristo no centro das suas vidas.
Sé Primaz encheu para acolher os três novos servidores da Igreja
A Sé Primacial de Braga esteve repleta de fiéis para a cerimónia de ordenação sacerdotal de Bruno Pinto, Carlos Furtado e Diogo Antunes. Além de inúmeros sacerdotes, diáconos, seminaristas e formadores, a celebração contou com familiares, amigos e fiéis das comunidades onde os candidatos realizaram o estágio pastoral, assim como os párocos das paróquias de onde são naturais.
Participaram na Eucaristia também os bispos auxiliares D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita, o Arcebispo Emérito de Braga, D. Jorge Ortiga, e o Bispo Auxiliar de Luanda (Angola), D. Fernando Francisco, que está de visita à Arquidiocese de Braga. Marcou igualmente presença o presidente da Câmara Municipal de Fafe.
Na homilia, D. José Cordeiro transmitiu uma mensagem de proximidade aos novos sacerdotes, garantindo que, diante das dificuldades e desânimos, podem contar com o apoio da Igreja. «Não estais sozinhos. O moderador para a vida pastoral é alguém a quem podereis recorrer para esclarecer dúvidas e pedir conselhos, tal como a outros padres amigos, aos Serviços da Cúria Arquidiocesana e até a mim próprio», garantiu o Arcebispo.
O prelado sugeriu também aos novos padres que procurem o convívio com a família e com amigos, dentro e fora do presbitério.
A Ordenação Presbiterial foi também momento para expressar gratidão e orar pelas vocações, numa altura em que a Igreja se debate com a falta de sacerdotes.
«A Igreja precisa de pastores e de fiéis leigos, servidores criativos e credíveis do Evangelho», afirmou D. José Cordeiro.
Os três novos sacerdotes vão exercer o seu ministério presbiteral em arciprestados diferentes, devendo a entrada/tomada de posse decorrer depois de agosto.
Bruno Pinto, de 26 anos, natural de Santa Eulália de Fafe, foi nomeado vigário paroquial de Divino Salvador de Amares, Santa Maria de Ferreiros, São Pedro de Barreiros, São Vicente do Bico, São Martinho de Carrazedo, São Martinho de Lago, São Tomé de Proselo e Santo André de Rendufe, Arciprestado de Amares e Terras de Bouro.
Carlos Furtado, de 35 anos, natural da paróquia de Outeiro Maior, Vila do Conde, foi nomeado administrador paroquial de Santa Maria de Antime, São Martinho de Armil e São Clemente de Silvares, Arciprestado de Fafe, sob a moderação do Padre José António Ribeiro de Lima Carneiro.
Diogo Antunes, 36 anos, natural da Paróquia de Travassós, Fafe, foi nomeado vigário paroquial de Santa Maria Maior de Outeiro, Santo André de Painzela, São Sebastião de Passos, São Miguel de Refojos de Basto, São João Baptista de Bucos, São Nicolau de Basto, São Martinho de Arco de Baúlhe, São Tiago de Faia e Santo André de Vila Nune, Arciprestado de Cabeceiras de Basto.
No final da ordenação, os novos sacerdotes agradeceram o acolhimento do presbitério e do Povo de Deus. Deixaram ainda uma palavra de gratidão ao Seminário Conciliar e à Faculdade de Teologia da UCP pela formação recebida, bem como às suas comunidades de origem e às que os acolheram em estágio. Agradeceram ainda aos companheiros seminaristas e condiscípulos, às famílias, aos Bispos de Braga e ao Bispo Auxiliar de Luanda pela imposição das mãos e pelo cuidado e solicitude de pastores, e a toda a assembleia que participou na celebração.
Por fim, deixaram um pedido: «Continuai a rezar por nós, pedi a Jesus que nos conceda a graça de sermos padres segundo o seu coração. Que nunca deixemos de ter as mãos juntas na oração, as mãos abertas no serviço e as mãos disponíveis para que Cristo continue a tocar o Seu Povo através da fragilidade da nossa vida».
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