Arquidiocese de Braga -

10 agosto 2026

Leão XIV enviou bênção e indulgências aos peregrinos da Senhora da Franqueira

Fotografia DM

DM - José Carlos Ferreira

A Peregrinação Arciprestal de Barcelos ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário do Monte da Franqueira, presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, teve este ano uma particularidade única.

Assinalando-se ontem o encerramento dos 550 anos de Devoção Mariana neste lugar sagrado, o Papa Leão XIV enviou a sua bênção e indulgências aos peregrinos da Senhora da Franqueira, num documento que foi lido durante a Eucaristia que culminou a subida ao monte de muitas centenas de barcelenses. O documento estipula a bênção do Papa a todos os fiéis «verdadeiramente arrependidos e movidos pela caridade», e indulgência plenária àqueles que participaram na Eucaristia, que se tivessem confessado, comungado e rezado pelas intenções do Santo Padre. O decreto papal estende ainda a possibilidade de obter esta graça espiritual àqueles que visitarem o Santuário de Nossa Senhora da Franqueira em peregrinação, seja individualmente ou em grupo, e que participarem «devotamente nas celebrações ou, pelo menos, durante um conveniente espaço de tempo, se dedicarem a piedosas meditações» e a elevarem preces pela paz mundial. «Os fiéis impedidos pela idade avançada, doença ou outra causa grave poderão igualmente obter a indulgência plenária», desde que se «unam espiritualmente às celebrações, oferecendo as suas orações e sofrimentos», determina ainda o Breve Papal.

Na sua homilia, o Arcebispo Metropolita de Braga desejou que todos possam acolher esta graça do perdão e da misericórdia concedida pelo Papa Leão XIV, «para que possamos prosseguir na vida mais leves». Utilizando a imagem do peregrino que, na sua primeira viagem carrega a mochila com tudo o que pensa que vai utilizar, mas depois descobre que o melhor é libertar-se do que não faz falta, D. José Cordeiro disse que o mesmo acontece no nosso coração e na nossa vida. «Há muitas coisas que nós carregamos que só nos pesam, e algumas até nos esmagam, porque a cruz esmaga, a cruz mata. Mas a cruz com Cristo liberta, salva. E Deus liberta-nos na cruz como ao seu próprio filho Jesus Cristo. Não nos livra da cruz. Ninguém pensa em livrar-se da cruz. Cada um tem a sua própria cruz. E quando pensa que está liberto pode vir uma maior. Mas Deus salva-nos na cruz. É a nossa confiança, é a nossa esperança», disse.

O prelado sustentou ainda na sua homilia que a melhor forma de rezar «é esta do peregrinar», porque faz «com que a pessoa toda, o corpo inteiro, a vida toda, louve o Senhor, sinta o cansaço, possa sentir a tristeza, sinta a consolação, sinta a alegria, sinta a esperança». E chegados ao cimo da Franqueira, salientou, ao contemplar o mar «somos envolvidos pelo horizonte da esperança». D. José Cordeiro também lembrou a Semana Nacional das Migrações que agora começa e culmina a 13 de agosto em Fátima, sob o lema “Da Fragilidade à Esperança”. O prelado realçou a fragilidade do sair da sua terra, do trabalho, das condições de vida. Mas evidenciou a esperança de regressar às origens, porque vir à sua terra é alimentar as raízes da árvore. «Ser feliz não é ter fama ou dinheiro; é ser amado e perdoado», salientou.

Já no final da Eucaristia, o juiz presidente da Confraria de Nossa Senhora do Rosário do Monte da Franqueira, depois dos agradecimentos, sublinhou o lançamento da obra “Senhora da Franqueira, 900 anos de História”. O livro, apresentado ontem à tarde, realçou Manuel Sousa, «não é apenas um registo escrito, mas um verdadeiro testemunho vivo da fé de um povo, da sua devoção ao longo de séculos e da forma como esta espiritualidade Mariana mudou a identidade desta terra e das suas gentes».