Arquidiocese de Braga -

4 setembro 2026

Padres defendem que tarefas administrativas e de gestão sejam assumidas pelos leigos

Fotografia Agência ECCLESIA/HM

DM

O XI Simpósio Nacional do Clero encerrou ontem em Fátima com o apelo a que os leigos passem a assumir as tarefas administrativas e de gestão das paróquias, para que os párocos possam dedicar-se «ao essencial». Do encontro nacional, saiu também o apelo à reestruturação da missão dos padres em Portugal, com «a urgência» de combater o isolamento dos sacerdotes e de se promover a corresponsabilidade nas comunidades católicas.

«Somos humanos, somos ministros, somos servidores, não somos super-heróis», afirmou o reitor do Seminário de São José da Diocese do Algarve, padre António de Freitas, em declarações à Ecclesia, no final do simpósio.

O sacerdote algarvio denunciou o desgaste provocado pela acumulação de tarefas administrativas e de gestão, defendendo a delegação destas funções em leigos com competência técnica para que os padres se concentrem no «essencial» do seu ministério.

O relatório de síntese dos grupos de trabalho acompanhou estas apreensões, identificando como prioridades o combate à solidão, o estabelecimento de maior proximidade com os bispos e a criação de equipas multidisciplinares que auxiliem os párocos em casos de sofrimento complexo e de saúde mental.

O documento estrutural sublinha ainda o valor primordial do encontro físico nas paróquias, alertando para os riscos de saturação e de despersonalização inerentes ao excesso de comunicação digital.

«Vejo um isolamento e um afastamento muito grande entre nós, sacerdotes», relatou à Ecclesia o padre António Carlos, da Arquidiocese de Évora, exemplificando a dureza da solidão nas aldeias desertificadas do interior alentejano.

O pároco observou que o desafio é acentuado por se tratar de comunidades com «pessoas já muito antigas, idosas, que no fundo exigem muito», apelando a que a fraternidade presbiteral deixe as «palavras e papéis» para passar «à prática».

O padre António Almiro Mendes, da Diocese do Porto, descreveu a dureza do sacerdócio atual, lamentando que os clérigos giram a sua vida «em grandes solidões, em trabalho desmesurado, que esmagam».

«Nós não nascemos acabados, nós nascemos para nos construirmos», evidenciou o pároco nortenho, exortando a assembleia a agarrar-se a Cristo para garantir um crescimento assente na edificação de um «humano bom».

A integração comunitária ditou a perspetiva do padre Vítor Mira, da Diocese de Leiria-Fátima, que evocou a consciência sinodal no seu depoimento a esta agência, ao sublinhar que «a missão não é só do padre, é de todos os batizados».