Arquidiocese de Braga -

18 setembro 2026

Cuidados nas IPSS não são inteiros se não contemplarem o espiritual

Fotografia DM

DM - José Carlos Ferreira

Arcebispo Metropolita de Braga na Eucaristia de encerramento da 11.ª Semana Social

O Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, defendeu ontem que todos os cuidados que as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) possam dar aos seus utentes não serão inteiros se não contemplarem a dimensão espiritual, a dimensão da fé.

Esta foi uma das mensagens que o arcebispo deixou na Eucaristia a que presidiu, integrada na programação do último dia da 11.ª Semana Social, que decorreu em Braga.

Perante muitos utentes de várias IPSS do distrito de Braga que participaram na Eucaristia celebrada em frente da capela de São João da Ponte, o prelado garantiu que, apesar das debilidades do corpo, a fé proporciona uma cura interior e um propósito que transcende a existência terrena. D. José Cordeiro lembrou que todos, independentemente da idade ou condição, são «filhos amados e perdoados em Deus».

Para o Arcebispo Metropolita de Braga, todos nascem para Deus e, por isso, todos nascem para a eternidade. Segundo sustentou, os medicamentos, as terapias, todos os cuidados das IPSS e os serviços da Segurança Social podem melhorar o estado de saúde das pessoas e as suas capacidades físicas e mentais. Tudo isto, realçou, pode até curar temporariamente. «Mas, há de chegar um tempo de deixarmos este mundo. Então, o que é que dá sentido à eternidade? Nós nascemos só para viver algumas dezenas de anos, ou nascemos para a eternidade? Nascemos para Deus e sabemos que até a morte é parte integrante da nossa vida», disse.

Na sua homilia, o prelado vincou que «todos os cuidados que são feitos nas IPSS não são inteiros, senão contemplam a dimensão espiritual, a dimensão da fé». Para D. José Cordeiro, esta cura interior é tão ou mais importante que os cuidados médicos, terapêuticos e todos os outros técnicos, emocionais e humanos. «Sabemos que Deus cuida de nós, que Deus nos quer bem, que Deus nos ama, que Deus nos perdoa. E esse é o sentido também do tempo na nossa vida. Não deixemos que apenas o tempo passe num relógio, num calendário, nas atividades, mas que o tempo seja o lugar onde Deus habita», salientou.

D. José Cordeiro concluiu com um apelo à humanização das relações e à construção de pontes entre as pessoas, entre o tempo e a eternidade, e entre o cuidado físico e o espiritual. O prelado pediu ainda que Deus «ilumine sempre todos aqueles que têm a responsabilidade política, social, administrativa, educativa» das instituições, para que não falte o necessário.

Guimarães acolhe Semana Social 2027

O presidente da União das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Braga (UDIPSS) adiantou ontem que Guimarães vai acolher em 2027 a 12.ª Semana Social. Sobre esta 11.ª edição, que terminou ontem, o padre José Antunes traçou um balanço «positivíssimo», tendo sido abordados temas de elevada pertinência social. As jornadas focaram-se no «envelhecimento, algo belo, algo bom», uma temática que, segundo o presidente da UDIPSS, exige uma reflexão profunda. «Não basta ter tempo, é necessário dar vida ao tempo. E nós, IPSS, temos esse encargo», afirmou. 

A iniciativa incluiu também um debate sobre o futuro das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), centrando-se na sua sustentabilidade, autonomia e na revisão dos acordos de cooperação com o Estado, um «problema candente» que mereceu respostas e o compromisso de levar as preocupações ao Governo. O sucesso da semana foi também fruto de uma estreita colaboração com a Câmara de Braga, cujo apoio foi considerado indispensável.