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DACS com Agência Ecclesia | 20 Fev 2020
Vaticano abre arquivos de Pio XII a 2 de Março
Documentos sobre como o Vaticano lidou com o Holocausto e a preparação do Concílio Vaticano II estão incluídos no arquivo.
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  © AP Photo

O Vaticano vai abrir no dia 2 de Março os arquivos relativos ao pontificado de Pio XII (1939-1958). 

Para a abertura do arquivo, que compreende mais de 15 milhões de páginas, foram necessários 13 anos de trabalho, tendo entretanto já sido divulgada a “grande ajuda do Papa e da Santa Sé aos prisioneiros de guerra” e a “dimensão da caridade” de Pio XII, que auxiliou pessoalmente milhares de pessoas.

Andrea Riccardi, historiador, escreveu no Osservatore Romano que as relações entre o governo italiano e o pequeno Estado do Vaticano, com as suas “ilhas” extra-territoriais em Roma, representaram uma “questão delicada”, que colocava em causa a própria liberdade de Pio XII, em particular se acontecesse uma ocupação pela Alemanha Nazi.

Pio XII, sustenta Riccardi, estava “claramente a favor da utilização da Igreja como um espaço de asilo” e tinha consciência dos riscos que isso implicava. “A Igreja torna-se então um espaço de asilo para todos, apesar das origens variadas. Nos ambientes eclesiásticos encontram-se comunistas, pessoas de outras religiões”, escreve.

Johan Ickx, director do arquivo da segunda secção da Secretaria de Estado do Vaticano, sustenta num ensaio sobre a “Santa Sé e os refugiados (1933-1945)” – apresentado este ano num evento organizado pela Missão da Santa Sé nas Nações Unidas, em Nova Iorque – que, dos 9.975 judeus presentes em Roma no dia da libertação, no final da II Guerra Mundial, 6.381 tinham sido ajudados e protegidos por Pio XII, pelas instituições do Vaticano e pelo Vicariato de Roma.

Neste processo, que se estende aos judeus deportados, destaca-se a figura de Giovanni Battista Montini – o futuro Paulo VI –, que era então substituto da Secretaria de Estado.

O responsável pelo Arquivo Apostólico do Vaticano, o cardeal Tolentino Mendonça, afirmou à Agência ECCLESIA, aquando do anúncio da abertura, em 2019, que espera a atenção de “muitos historiadores” sobre um pontificado longo, “num dos períodos cruciais da história contemporânea, que tem uma riqueza muito grande”.

“É evidente que um momento central é o da II Guerra Mundial, da perseguição aos judeus, mas há toda uma série de questões, como a preparação do Concílio Vaticano II (1961-1965), que vai aparecer no pontificado seguinte, de São João XXIII: o clima, a relação com a teologia, a aspiração das várias Igrejas, isso tudo aparece já no pontificado do Papa Pio XII, que é muito rico, nomeadamente para Portugal”, indicou o responsável madeirense.

A comunidade judaica pede, há muitos anos, transparência por parte do Vaticano sobre as suas actividades durante o Holocausto, e a ordem do Papa Francisco para abrir os arquivos vai permitir aos historiadores e outros académicos examiná-los e estudá-los nos próximos anos. 

O Papa Pio XII é há muito acusado de pouco ter feito para ajudar os perseguidos pela Alemanha Nazi e de não ter denunciado o Holocausto, em que foram assassinados seis milhões de judeus.

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