Arquidiocese de Braga -
2 abril 2024
Páscoa na Cónega ganha nova solenidade com a presença do Arcebispo de Braga
DM - Carla Esteves
A tradição Pascal na Cónega foi, este ano, enriquecida, por D. José Cordeiro, que também celebrou uma eucaristia no nicho de Santiago
As tradicionais festas da Páscoa na Cónega ganharam, ontem, uma solenidade ainda maior com a presença do Arcebispo Metropolita, D. José Cordeiro, que abrilhantou a saída do Compasso Pascal da Sé de Braga em direção à Rua da Boavista, tendo depois celebrado, uma missa campal junto ao nicho de Santiago. A presença pioneira de
D. José Cordeiro, que promete vir a tornar-se uma tradição em futuras edições da Páscoa na Cónega, assinala não apenas a importância deste compasso pascal tão caraterístico na tradição pascal em Braga, mas também a vontade de dar continuidade a este testemunho de fé em Jesus Ressuscitado.
Este ano, D. José Cordeiro propôs-se ir à Cónega para tomar contacto com a realidade desta tradição pascal e sentir a alegria e a vivência do compasso pascal nesta artéria típica da cidade.
O cónego Manuel Joaquim, pároco da Sé, traduz esta presença como “um enriquecimento desta tradição” que atrai centenas de pessoas a esta artéria emblemática do centro histórico de Braga.
O encontro das cruzes em frente à Sé Catedral aconteceu pontualmente às 9h, e foi ao som da Banda Musical de Calvos, da Póvoa de Lanhoso, que o cortejo saiu, abrindo caminho pelas ruas, precedido dos meninos que faziam os sinos tilintar e dos mordomos transportando as cruzes floridas, e depois coroado pelas figuras de D. José Cordeiro, do cónego Manuel Joaquim, e de mais três sacerdotes.
Apesar dos períodos de chuva forte e até granizo, o caminho fez-se maioritariamente com sol, e com grande alegria, tendo a entrada na Rua da Cónega ficado marcada, como de costume, pelas varandas engalanadas com colchas, e pela chuva de pétalas de flores que cobria os passeios à passagem do cortejo religioso, num sinal de reverência e vontade de receber o símbolo sagrado de Jesus Ressuscitado.
Neste percurso entre a Sé e o nicho de Santiago o Arcebispo de Braga efetuou uma paragem a meio da Rua da Cónega, para orar na capela do Senhor das Ânsias, prosseguindo depois até ao nicho, que se encontrava já devidamente preparado, tendo sido instalada no local uma tenda para a realização da cerimónia, contando com o apoio da União das Freguesias de Maximinos, Sé e Cividade e da Comissão de Festas da Cónega.
“Eucaristia é o centro e o vértice da Vida Cristã”
Perante uma assembleia atenta, D. José Cordeiro, presidiu então à pioneira eucaristia junto ao nicho de Santiago. Agradecendo o “sentido de hospitalidade da comunidade”, o Prelado salientou o caminho realizado entre a Sé o local da cerimónia, considerando o Compasso Pascal “uma oportunidade para levar a alegria da Páscoa às famílias, às crianças, aos idosos, aos que estão sozinhos e aos que mais sofrem”.
Considerando que este percurso nos inspira a sermos “peregrinos na vida, prosseguindo, na Páscoa esta peregrinação que deve recomeçar todos os dias”, o Arcebispo Primaz lembrou que a meta deve ser a Eternidade e nós devemos ser “peregrinos juntos na estrada da vida”.
Referindo-se à Páscoa como “um misto de dor e de esperança, na vida renovada”, D. José agradeceu a dedicação da Comissão de Festas, da União de Freguesias e da comunidade em geral na preparação destas festividades, referindo-se depois a outra festa que decorre em paralelo, nomeadamente a preparação do Quinto Congresso Eucarístico Nacional, que ontem iniciou com uma rede de oração na paróquia de Ocua, na diocese de Pemba.
“A Eucaristia é o centro e o vértice da vida cristã”, afirmou D. José, referindo-se ao apelo que parte da partilha do pão, símbolo da esperança.
Terminou, deixando a vontade de, no próximo ano, estar presente durante mais tempo na celebração da Páscoa na Cónega, dessa vez no momento da conclusão das festividades, momento que tradicionalmente é ainda mais festivo.
Cónega vive tradições pascais com renovada alegria e sentido de comunidade
Depois de uma manhã intensamente vivida, a comunidade do centro histórico da cidade voltou a reunir-se da parte da tarde para vivenciar o tradicional compasso pascal, levando a Cruz de Cristo de porta em porta às famílias da Rua da Boavista. A ligeira acalmia no temporal permitiu uma vivência mais tranquila dos costumes pascais, que todos os anos atraem inúmeras pessoas àquela artéria do centro histórico, incluindo familiares dos moradores, mas também muitos curiosos com vontade de conhecer de perto esta tradição.
No encontro inicial junto ao Patronato de Nossa Senhora da Torre, antes das Cruzes iniciarem o seu percurso pela Cónega, o pároco da Sé, cónego Manuel Joaquim Costa, deixou um sentido agradecimento à Família Sousa, que este ano assegurou a mordomia das festas, e em particular à sua matriarca D. Aninhas.
A gratidão do cónego Manuel Joaquim estendeu-se à Comissão de Festas da Cónega, em particular ao presidente Manuel Gonçalves, bem como a todos os que, de forma discreta, colaboram neste testemunho de anúncio, deixando ainda um apelo para que “a nossa inquietação seja sempre levar Jesus a todos e todos a Jesus Cristo”.
Na sua intervenção, o responsável pela Comissão de Festas, Manuel Gonçalves, afirmou que a intenção desta comissão “é continuar a dar sempre tudo a este acontecimento”.
Em declarações à imprensa, Manuel Gonçalves mostrou a sua satisfação pela visita de D. José Cordeiro, “que veio dar um relevo especial a esta festa que muitas vezes tem sido esquecida”.
“Nós temos feito, ao longo dos anos, um grande sacrifício para manter esta tradição. Este ano tivemos esta agradável surpresa da presença do D. José, que prometeu regressar para o ano, estar mais tempo, e até, se possível, fazer a recolha das Cruzes, que é um momento especial nas nossas festas”, argumentou.
O facto deste ano a mordomia estar entregue à Família Sousa, foi outra nota positiva deixada por Manuel Gonçalves, depois de, no ano passado, ter sido a sua própria família a assumir a mordomia, num gesto de incentivo para que outros membros da comunidade assumissem também esta responsabilidade.
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