Arquidiocese de Braga -
13 março 2026
Juntos, servidores criativos, no caminho de Páscoa
Mensagem para a Visita Pastoral ao Arciprestado de Fafe
A Paz esteja convosco!
Com estas palavras do Ressuscitado, que também iniciaram o ministério do Papa Leão XIV, saudamos todo o Povo de Deus peregrino no Arciprestado de Fafe. Com alegria e espírito de comunhão, aproximamo-nos de vós nesta “visitação”, desejando escutar, caminhar e discernir, à luz do Evangelho, os desafios e oportunidades que hoje se colocam à vida de cada um de nós e das nossas comunidades cristãs.
A Visita Pastoral é um tempo favorável, de bênção e de graça para o Bispo poder conhecer melhor o Povo de Deus e o Povo de Deus ser confirmado na fé, na esperança e na caridade.
Vivemos tempos de grandes transformações no mundo e também na Igreja. Múltiplos riscos sobrevoam a humanidade, que assiste a uma espécie de terceira guerra mundial fragmentada, a acontecer cada dia, com incontáveis e graves atentados à dignidade inviolável da vida humana.
Na Igreja, e concretamente no nosso contexto, reconhecemos, com realismo, a crise das vocações e consequente diminuição do número de clero ao serviço das comunidades. O arciprestado do Fafe não tem passado ao lado disto, uma vez que, em 25 anos, passou de 20 para 11 párocos. Além disso, muitos dos sacerdotes que colaboravam no trabalho pastoral paroquial também deixaram de dar essa colaboração.
Com a diminuição de presbíteros não desapareceram, nem sequer reduziram, as paróquias. Perante esta realidade, há uma necessária reorganização territorial e uma conversão pastoral e missionária que nos deve motivar a repensar estruturas, hábitos e modos de presença. Não se trata apenas de uma reorganização geográfica ou administrativa, juntar paróquias ou fomentar as unidades pastorais, mas de uma oportunidade para a conversão pessoal, pastoral e missionária, para fortalecer a comunhão, a corresponsabilidade e a missão partilhada entre paróquias, movimentos, grupos e serviços eclesiais.
Ligada a esta realidade surge a multiplicação de Missas, que nem sempre favorece a participação consciente e a vivência comunitária da fé. Por ser fonte, centro e cume da vida cristã, somos convidados a discernir, com serenidade e coragem, caminhos que ajudem a valorizar a celebração da Eucaristia e do Domingo, evitando a dispersão e promovendo assembleias mais vivas, participadas e criativas. Todavia, considere-se a proposta pastoral: «menos missas e melhor missa».
Partilhamos também a preocupação perante um acentuado desinteresse e descompromisso de muitos leigos e o afastamento da vida comunitária, em especial após a pandemia. Esta situação não deve ser motivo de desalento, mas um apelo renovado à evangelização, à formação e ao acompanhamento próximo, mas também ao primeiro anúncio. As comunidades cristãs só serão vivas se forem espaços de acolhimento, escuta, participação e corresponsabilidade, e também lugares de ousadia e de saída missionária. E tudo em chave sinodal, que não quer ser uma moda, mas o estilo do próprio Cristo, que chama, envolve e caminha em conjunto, com os discípulos e com o povo.
No território arciprestal não podemos ignorar as situações sociais de isolamento e solidão, que atingem muitas pessoas, especialmente idosos, doentes e famílias fragilizadas. A Igreja deve ser e quer ser casa de comunhão, proximidade e cuidado, para que ninguém se sinta esquecido ou sozinho.
Por fim, olhamos com atenção para a realidade dos migrantes que marcam profundamente o tecido social e eclesial deste arciprestado. Uns que partem, desde há muito, em busca de melhores condições de vida, e cada ano regressam, a fim de não perder as origens e as raízes; outros que, mais recentemente, chegam, trazendo consigo culturas, línguas e esperanças a saber integrar. Todos são irmãos e irmãs, que nos desafiam a uma pastoral mais aberta, inclusiva e solidária.
Confiamo-nos e confiamos o Arciprestado de Fafe à intercessão de Maria, Senhora da Misericórdia. Pedimos ao Espírito Santo que nos conceda a sabedoria, a coragem e a alegria da Páscoa para continuarmos a caminhar juntos, como Igreja sinodal, fiel ao Evangelho e próxima das pessoas.
Com estima fraterna e bênção pastoral,
+ José Cordeiro, Arcebispo Metropolita
+ Delfim Gomes, Bispo Auxiliar
+ Nélio Pita, Bispo Auxiliar
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