Arquidiocese de Braga -

16 março 2026

D. José incentiva a semear a paz num mundo marcado por guerras

Fotografia Arciprestado de Fafe

 DM - Jorge Oliveira

A igreja Nova de S. José esteve repleta de fiéis para a celebração que assinalou o início da Visita Pastoral ao Arciprestado de Fafe, presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, acompanhado pelos dois Bispos Auxiliares, D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita.

A visita acontece nove anos após a última realizada no Arciprestado de Fafe, que decorreu sob a responsabilidade do então Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga.

A celebração reuniu fiéis e representações das 37 paróquias do Arciprestado de Fafe, aos quais foi entregue o Círio Pascal que será acesso em cada comunidade paroquial na noite da Vigília Pascal. Um gesto simbólico em sinal de comunhão e ligação entre as comunidades paroquiais.

A vigília de oração incluiu um momento de adoração eucarística no contexto do Lausperene da Arquidiocese de Braga, contando também com a presença de sacerdotes e diáconos que estão ao serviço das comunidades de Fafe. Na homilia, D. José Cordeiro começou por destacar a originalidade do início desta visita pastoral, realizada à noite e em comunhão com toda a Igreja na iniciativa das “24 Horas para o Senhor”, promovida pelo Papa Francisco.

«É a primeira vez que iniciamos à noite uma visita pastoral para que seja sinal da Luz da Páscoa», afirmou o prelado. O arcebispo sublinhou que a visita pastoral constitui um «momento de graça» e recordou a tradição iniciada pelo Arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires após o Concílio de Trento, prática que «continua com grande atualidade» e a marcar a vida pastoral da Igreja.

«Quem visita, na verdade, não somos nós, os três bispos, mas é Cristo», referiu. Durante a celebração, o prelado incentivou os cristãos a serem «testemunhas credíveis» e «construtores da paz», mesmo neste tempo em que o contexto internacional é marcado por conflitos e tensões.

«Somos chamados a construir a paz, a justiça, a verdade e o amor, mesmo que a situação geopolítica do mundo pareça ir em sentido contrário», afirmou.

Recordando a «enorme força da oração», D. José Cordeiro sublinhou que «sem oração não há missão» e apelou aos fiéis para que sejam semeadores da Palavra de Deus no quotidiano. «Temos que semear todos os dias e aproveitar as ocasiões que nos são oferecidas como estes momentos pastorais. Se não semearmos ninguém vai colher», afirmou.

Considerando a Visita Pastoral um «sacramento da estrada e do caminho», o Arcebispo desafiou os cristãos a oferecerem aos outros «este Caminho de Páscoa» e a serem «servidores criativos».

Na homilia, o Arcebispo recordou também alguns dos desafios que marcam atualmente a vida da Igreja, como a diminuição do número de sacerdotes e o afastamento de muitos fiéis da vida paroquial – realidade que, disse, se  acentuou após a pandemia.  «A diminuição do número do clero ao serviço das comunidades vai exigir de nós uma reorganização territorial e uma conversão pastoral e missionária», assinalou.

Neste contexto, D. José destacou a importância da corresponsabilidade dos leigos, do diaconado e de novos ministérios na dinamização das comunidades cristãs, defendendo uma Igreja «mais viva, consciente e criativa».

Durante a celebração, que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa, os fiéis foram ainda convidados a rezar pelos frutos desta visita pastoral, destinada a fortalecer as comunidades e a renovar a vida cristã no território. 

A Visita Pastoral ao Arciprestado de Fafe é a sétima que os bispos vão fazer no conjunto dos 13 Arciprestados, seguindo a ordem alfabética. Nesta «sétima estação», como caraterizou D. José, as visitas às paróquia decorrem entre 17 de abril e 31 de maio. 

Visita Pastoral é «momento de graça» para as comunidades de Fafe

Um «momento de graça» para as comunidades paroquias. É assim que o Arcipreste de Fafe considera a visita Pastoral que os três Bispos da Arquidiocese de Braga iniciaram na noite de sexta-feira ao Arciprestado.

«Para nós, Arciprestado, constitui uma ocasião especial e feliz», disse o padre José António Carneiro ao Diário do Minho, após a celebração que decorreu na igreja Nova de S. José, na cidade de Fafe.

O sacerdote recordou que a última Visita Pastoral ao Arciprestado ocorreu há nove anos, num contexto muito diferente do atual, e desde então, «muita coisa aconteceu», não só no país e no mundo como também na própria Arquidiocese, que desde 2021 tem como pastor D. José Cordeiro, acompanhado pelos bispos auxiliares D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita.

«Muita gente nas comunidades já não tem memória da última Visita Pastoral. Por isso, para nós é uma ocasião especial», afirmou o Arcipreste, sublinhando que esta visita vai, por um lado, permitir ao Arcebispo conhecer mais de perto a realidade das paróquias e, por outro lado, dar a oportunidade aos paroquianos de estarem mais próximos do seu pastor.

Segundo explicou o padre José António Carneiro, a Visita Pastoral não se limitará a momentos de celebração, como já aconteceu em outras ocasiões em que D. José esteve em Fafe,  mas implicará um contacto mais profundo com a vida das comunidades.

«Uma coisa é vir um dia para presidir à Peregrinação Arciprestal ou ao Crisma, outra é visitar quase paróquia a paróquia, quase pessoa a pessoa. É um tempo mais intenso do próprio bispo conhecer a sua Diocese, os seus diocesanos, não só os padres, mas também o povo de Deus, os movimentos, os grupos, as organizações», notou.

Para muitos jovens, esta será a primeira oportunidade de contacto direto com os bispos, o que torna este momento ainda mais significativo para as comunidades cristãs.

Círio pascal: sentido de unidade

A celebração inaugural da Visita Pastoral culminou com a entrega do Círio Pascal às 37 paróquias do arciprestado. O símbolo será aceso na noite da Vigília Pascal em cada comunidade, representando a unidade e a comunhão entre todas as paróquias. 

De acordo com o arcipreste, a escolha do círio deve-se ao facto de a visita pastoral às paróquias  decorrer integralmente no tempo pascal.

«Como o Círio Pascal é um elemento de destaque em todas as igrejas durante o tempo pascal, entendemos que poderia ser o sentido de unidade da visita pastoral», explicou.

Cada paróquia recebeu um círio com uma imagem especialmente concebida para esta ocasião, que será consagrado na Vigília Pascal e permanecerá como sinal da luz de Cristo nas comunidades.

Após a entrega dos círios, o padre José António Carneiro agradeceu a presença dos três bispos e desejou que esta visita pastoral seja um tempo de esperança e de graça para todos os que visitam e são visitados.

Para preparar este momento, estão a decorrer encontros de formação destinados às 37 paróquias do arciprestado, no Auditório da ACR, em Fornelos. O primeiro encontro foi dedicado ao tema da caridade, seguindo-se uma sessão sobre catequese, marcada para 21 de março, e um terceiro encontro sobre liturgia, agendado para 27 de março.

A visita pastoral será interrompida durante a Semana Santa e a Páscoa, retomando a 17 de abril, data em que terão início as visitas às paróquias, que se prolongarão até 31 de maio. O encerramento está marcado para 21 de junho, às 15h00, no Multiusos de Fafe, com a celebração do Crisma arciprestal e a nomeação dos Conselhos Pastorais Paroquiais.